Qual a relevância do mercado brasileiro de games para a Sega? Sentimos uma paixão enorme vinda do Brasil. Nos filmes do Sonic, o ouriço azul que é nosso maior símbolo, o país está entre os três maiores públicos do mundo nos cinemas.
Há uma cultura de games consolidada, que remonta aos arcades e ao Mega Drive nos anos 1980 e 1990. Mesmo quando a economia enfrentou períodos ruins, o espírito dos jogadores brasileiros permaneceu vivo.
A economia é crucial, mas o amor sincero pelos jogos tem valor cultural inestimável. Como, então, alimentar e aprofundar a presença e a paixão no país? O primeiro e mais decisivo passo é continuar entregando jogos de alta qualidade, sem o que não há como prosperar e conseguir fãs ainda na infância Ao mesmo tempo, investimos fortemente na estratégia que chamamos de “transmídia”, com filmes, produtos licenciados e eventos, de modo a criar oportunidades contínuas de engajamento.
Queremos que o público vivencie nossas franquias de várias formas, o que também atrai novos jogadores. Essa variedade de plataformas é inovação inaugurada pelos consumidores brasileiros? É um modelo global, mas com enorme aderência no Brasil e que, portanto, serve de modelo e inspiração.
Quando comecei a usar o termo “transmídia”, ressalvo, era um conceito novo. Hoje, toda a indústria — inclusive os estúdios de cinema — adotou essa linguagem.
Para nós, não é só uma fonte de receita. É a ferramenta mais eficaz para manter uma comunicação contínua e construir um relacionamento duradouro com os fãs.
Como alcançar mercados emergentes com perfis econômicos tão diversos? A distribuição digital facilitou muito o acesso. Hoje, PC e dispositivos móveis cobrem praticamente todo o planeta.
Por isso, nossa estratégia não se limita mais aos consoles tradicionais: atuamos simultaneamente em PC e celulares para atingir o maior número possível de jogadores. Continua após a publicidade
Dá para revitalizar clássicos como Crazy Taxi e Jet Set Radio sem perder a essência? Não podemos depender apenas da nostalgia dos veteranos. Precisamos fazer a geração jovem se apaixonar.
Por isso, adicionamos a esses títulos elementos inéditos, novos talentos, trilhas renovadas e formas modernas de jogar. Em Crazy Taxi haverá um mapa inspirado no Brasil.
A inteligência artificial parece estar construindo uma outra civilização. É assim com os games? O tema é delicado e causa receio.
Mas a história dos games sempre esteve ligada à evolução tecnológica. Avaliamos a IA com cuidado: não a vemos como substituta da criação humana, e sim como instrumento de apoio para lidar com o volume crescente de dados e aprimorar o trabalho dos desenvolvedores.
Continua após a publicidade Publicado em VEJA de 6 de novembro de 2026, edição nº 3020
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