A mobilização popular que tomou as ruas e ajudou o presidente Lula a virar a disputa e conquistar a reeleição para o quarto mandato também ganhou expressão no crescimento do PT. Em outubro, o partido registrou 13.850 novas filiações, um salto de 319,1% em relação a setembro, quando foram contabilizadas 3.305 adesões.
O movimento tem a marca da renovação: quase dois em cada três novos filiados do mês são jovens. Os números do levantamento partidário mostram que a energia da mobilização nas ruas, nos bairros e nas redes em defesa de Lula ultrapassou o pedido de voto e se transformou em disposição para participar da vida política.
Só outubro concentrou 36,7% das 37.776 filiações registradas de janeiro a outubro. O PT possui ao todo aproximadamente 2,94 milhões filiados.
A força da nova geração que amplia seu espaço na política aparece com ainda mais intensidade no recorte da juventude. Foram 8.571 adesões de jovens em outubro, equivalentes a 61,9% do total do mês, contra 1.393 em setembro.
O crescimento foi de 515,3%: o número de novas filiações desse público foi mais de seis vezes maior. Para o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, esse movimento traduz o reencontro de diferentes gerações com a participação política, impulsionado pela campanha do presidente.
“A campanha do presidente Lula, sobretudo no segundo turno, foi um marco da mobilização social, na mobilização cidadã, na história política brasileira. E novas gerações ou mesmo gerações anteriores voltaram a se encantar com a política, com o processo eleitoral”.
No acumulado de janeiro a outubro, o levantamento registra 15.085 novos filiados jovens, ou 39,9% das adesões. Outubro, sozinho, trouxe mais jovens para o partido do que os nove meses anteriores somados: 8.571, contra 6.514 entre janeiro e setembro.
A secretária nacional de Juventude do PT, Julia Köpf, observa que o crescimento das filiações durante as eleições é esperado, porque os partidos ficam mais visíveis e as pessoas se envolvem mais nas decisões sobre o futuro. O diferencial deste ano, ressalta, é o peso das novas gerações.
“Agora, a novidade desse ano é a quantidade de jovens que estão entre esses filiados: 40% tem até 29 anos e mais da metade tem até 35 anos”. Na avaliação de Julia, a chegada desses militantes reflete a participação das juventudes nas ruas durante o segundo turno e o reconhecimento de Lula e do projeto petista como uma alternativa de futuro para o Brasil.
A reação ao bolsonarismo mobilizou parte dessa geração, mas, segundo a dirigente, também houve uma escolha afirmativa pelo projeto de país apresentado pelo presidente. O desafio agora é transformar essa disposição em participação permanente, com espaço para que os novos integrantes contribuam com as decisões e as lutas do partido.
Éden Valadares defende que o acolhimento dessa nova militância precisa alcançar tanto as sedes quanto os espaços digitais do partido. A proposta é aproximar quem se mobilizou na campanha da organização cotidiana das lutas populares e da sustentação do novo mandato de Lula.
Para o secretário, renovar o PT também exige reconhecer as mudanças no mundo do trabalho, nas relações sociais e nas formas de participação. Quem chega deve encontrar espaço para aprender, mas também para ensinar e ajudar a atualizar a atuação partidária.
“O PT tem que ter humildade para entender que a sociedade na qual o PT foi fundado em 1980 não é mais a mesma, que o mercado de trabalho mudou, as relações sociais mudaram, as relações de dominação, de exploração, mas também de interação, de construção social.” Essa abertura, afirma o dirigente, deve fortalecer a ligação entre o partido e a sociedade, com novas filiações, formação política e renovação da luta da classe trabalhadora.
Para dar continuidade à mobilização, o PT prepara uma campanha de filiação de 13 de novembro a 13 de dezembro. Segundo Julia Köpf, a iniciativa levará militantes às ruas para apresentar o projeto do partido e explicar como funciona a participação de quem decide se filiar.
A ideia é manter o contato com as pessoas que participaram da campanha eleitoral, ampliar a presença nos territórios e mostrar quais atividades, responsabilidades e espaços de decisão fazem parte da vida partidária. “Isso vai ser muito importante, tanto pra gente conseguir governar esse país em contato direto com o povo, como pra gente conseguir enraizar as ações do PT e eh do presidente Lula no território”.
A campanha terá uma jornada de formação sobre a história do PT e de sua juventude. O objetivo é oferecer condições para que os novos filiados atuem nos núcleos de base, nos bairros, nas escolas e nas universidades.
Julia lembra que sua própria filiação veio depois de uma trajetória de participação em atividades do partido por meio do movimento estudantil. A decisão ampliou seu compromisso com a organização e abriu espaço para participar dos debates internos.
É essa possibilidade que a dirigente destaca para quem agora considera dar o mesmo passo: a filiação permite contribuir com as discussões que orientam o partido e influenciam os rumos do país, para além do período eleitoral. “Quando a gente se filia num partido, não só a gente participa do processo eleitoral, mas a gente participa dos grandes debates que vão influenciar no processo eleitoral.
O PT é o partido mais democrático que a gente tem no Brasil.” Entre as agendas de mobilização para 2027, Julia cita a luta pela implementação da tarifa zero nos fins de semana e os debates sobre mudanças no sistema político e no Judiciário.
Para a nova geração que ajudou a construir a vitória de Lula, o convite é fazer da força das ruas uma presença permanente na construção do próximo governo e do futuro do Brasil.
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