O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sediou o ClimateScanner Summit 2026, encontro internacional voltado ao uso de dados da ferramenta ClimateScanner em auditorias, políticas públicas e ações de transparência climática. O evento, realizado em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), reuniu representantes de Instituições Superiores de Controle de 43 países e de 20 tribunais de contas estaduais e municipais.
Desenvolvido de forma colaborativa entre 2023 e 2024, o ClimateScanner avalia medidas governamentais de enfrentamento às mudanças climáticas em três áreas: governança, políticas públicas e financiamento. A iniciativa foi coordenada pela Organização Internacional das Instituições Superiores de Controle (INTOSAI), presidida pelo TCU desde 2022, com apoio do PNUD e do BNDES, incluindo recursos financeiros.
Entre os resultados apresentados, o TCU informou que nove em cada dez países avaliados não sabem quanto gastam no combate às mudanças climáticas. O levantamento também aponta que 70% dos governos têm planos de médio e longo prazo insuficientes para lidar com os efeitos negativos da mudança do clima, enquanto 80% dos países não consideram grupos mais vulneráveis em seus planos climáticos.
Metade dos países, segundo a ferramenta, não deixa claro como pretende reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Na abertura do encontro, o diretor jurídico do BNDES, Walter Baère, defendeu uma estrutura global de governança e transparência para a agenda climática.
Ele também citou investimentos de US$ 21,6 bilhões do Banco em finanças verdes nos últimos dois anos, destinados a áreas como transformação energética, indústria renovável, agricultura sustentável e reflorestamento. O vice-presidente do TCU, ministro Jorge Oliveira, afirmou que mais de 86% das instituições participantes manifestaram interesse em aplicar novamente a ferramenta.
A continuidade da iniciativa também foi mencionada por Monthien Charoenpol, auditor-geral da Tailândia e presidente do Grupo de Trabalho sobre Auditoria Ambiental da INTOSAI, que informou a inclusão do programa no plano de trabalho da entidade para 2026 a 2028. Durante o summit, o TCU lançou um guia para orientar a atuação das instituições superiores de controle em ações climáticas.
O documento busca apoiar a interpretação de dados, a definição de instrumentos de atuação e a seleção de prioridades. O Tribunal também prevê divulgar o Relatório Global do ClimateScanner em abril de 2027, durante o Simpósio ONU/INTOSAI, em Viena, na Áustria.
No Brasil, a metodologia do ClimateScanner foi usada no desenvolvimento do Painel ClimaBrasil, criado em 2025 pelos tribunais de contas brasileiros para acompanhar ações de governos estaduais e municipais. Com informações da BNDES
Brasil 247