China retém aprovação para 600 mil chips da Nvidia

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

Cerca de 600 mil chips de inteligência artificial da Nvidia estão armazenados em Hong Kong, à espera de autorização para entrar na China continental. O governo chinês ainda não liberou as importações em grande escala, segundo duas pessoas ligadas à operação.

O H200 não é o processador mais recente da Nvidia, mas tem capacidade que nenhuma alternativa chinesa igualou até hoje. Roda o treinamento de modelos de inteligência artificial junto com o software da empresa americana, e essa combinação o mantém disputado mesmo com a mercadoria parada no porto.

Hong Kong é porto franco e funciona como porta de entrada do mercado chinês. É por ali que passa boa parte do equipamento que Pequim aceita liberar aos poucos.

Desde 2022, os controles de exportação dos Estados Unidos tentam fechar o acesso chinês a chips avançados e às máquinas que os fabricam. A restrição não encolheu o apetite chinês por computação, apenas mudou o caminho pelo qual ela chega.

O governo de Donald Trump liberou a venda do H200 a clientes chineses aprovados no ano passado, depois de negociações comerciais entre as duas economias. Em maio, a autorização alcançou dez empresas, entre elas Alibaba, Tencent e ByteDance.

Agora é Pequim que impõe o gargalo. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma não responderam a pedidos de comentário, e a Nvidia, o Alibaba, a ByteDance, a DeepSeek e a Tencent também não se manifestaram.

O tamanho do estoque mede a relutância chinesa em ampliar a dependência da tecnologia americana. Nos últimos meses, grandes empresas de internet do país receberam cerca de 10 mil chips cada uma, uma fresta dentro do volume retido.

O site The Information informou em julho que autoridades avisaram Alibaba, ByteDance e DeepSeek de que a liberação ficaria em quantidades pequenas, destinadas ao treinamento de modelos. O total de aprovações pode ficar abaixo de 200 mil chips, e a orientação é priorizar processadores chineses na etapa de executar os modelos.

Inferência é a fase em que o modelo já treinado responde a perguntas e gera texto. A orientação chinesa reserva os chips importados para a parte pesada do trabalho e deixa a execução para os processadores nacionais.

A oferta limitada empurrou os compradores para intermediários e rotas indiretas. Pequenas remessas cruzaram a fronteira por esses caminhos nos últimos meses, sem que se saiba o volume.

No mercado paralelo, o preço disparou. Um servidor com oito placas H200 custava o triplo do valor de um ano antes no fim de outubro, mais de 6 milhões de yuans ou quase R$ 5 milhões por máquina.

Os servidores com os chips Blackwell, geração mais nova da Nvidia e também submetida aos controles, saíam por mais de 20 milhões de yuans cada. É mais de três vezes o preço do H200, e a diferença mede o tamanho da fila.

Enquanto isso, as empresas chinesas compram o que podem dentro das regras americanas. ByteDance, Alibaba e Tencent encomendaram mais de 3 milhões de placas RTX Pro 5500, um produto menos potente e em conformidade com os controles, num negócio de mais de US$ 35 bilhões em preço de tabela.

Esse pacote mostra onde a estratégia chinesa ainda aperta. O país constrói a própria indústria de semicondutores, mas continua dependente da computação americana para treinar os modelos mais avançados, e administra essa dependência com a torneira na mão.

O H200 virou o símbolo de uma disputa maior entre as duas maiores economias do mundo. Washington tenta manter a dianteira em computação, e Pequim tenta comprar tempo para não depender dela.

Os controles americanos produziram o oposto do que prometeram. Quatro anos de restrição não impediram a China de comprar, apenas encareceram o produto e transferiram para Pequim a decisão sobre quanto de dependência o país aceita.

Os 600 mil chips seguem no limbo de Hong Kong, e cada mês de espera pesa dos dois lados da disputa. A liberação continua nas mãos do governo chinês, que negocia o ritmo da própria indústria antes de abrir a porta.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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