Não são humanos: robôs em tamanho real e com pele artificial estreiam como apresentadores na China

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Dois novos apresentadores dividiram a bancada de um evento da agência estatal chinesa Xinhua na quinta-feira (5). Com altura e proporções humanas, pele artificial e movimentos sincronizados à fala, Xinyan e Xinyu leram diante das câmeras uma notícia sobre o próprio lançamento.

A dupla foi apresentada em Pequim, durante o Fórum de Inteligência Artificial e Modernização Chinesa. Segundo a Xinhua, os humanoides foram desenvolvidos com a fabricante chinesa UBTECH e preparados para trabalhar em boletins, traduções e interações presenciais.

Xinyan é a personagem feminina e Xinyu, o masculino. A aparência dos dois foi concebida pelo cineasta Zhang Yimou, diretor de Herói e das cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Na demonstração, os robôs permaneceram sentados atrás de uma mesa, alternaram olhares e acompanharam a leitura com movimentos dos lábios e pequenas mudanças de expressão. O material divulgado não mostra deslocamentos pelo estúdio ou interação prolongada fora do roteiro.

Da tela para a bancada A China utiliza apresentadores digitais desde 2018, quando a própria Xinhua lançou avatares gerados por computador para reproduzir voz e aparência humanas.

Xinyan e Xinyu acrescentam um corpo físico a esse formato. A UBTECH forneceu a estrutura mecânica, a pele sintética e os sistemas que coordenam fala, movimento e expressão.

A Xinhua ficou responsável pelo conteúdo e pelas regras editoriais utilizadas na apresentação. Os robôs estão ligados ao Xinhua Lexicon, plataforma de inteligência artificial abastecida com textos políticos e jornalísticos da agência.

De acordo com Zhou Jian, fundador da UBTECH, o sistema seleciona materiais previamente revisados e os converte em voz, expressões faciais e movimentos corporais. A escolha desse acervo restringe o conteúdo apresentado ao material aprovado pela Xinhua.

Em vez de improvisar notícias a partir de perguntas abertas, os robôs consultam uma base mantida pela redação. Qian Tong, diretor do centro de novas mídias da agência, definiu os humanoides como “uma nova função da redação, não os novos protagonistas”.

A Xinhua afirma que eles deverão auxiliar jornalistas e editores em leituras diante das câmeras, produção em diferentes idiomas e atendimento ao público. O primeiro emprego fica na própria Xinhua

A estreia não veio acompanhada de preço, início de operação regular ou contrato com outras emissoras. A primeira aplicação anunciada permanece dentro da própria agência que participou do desenvolvimento.

Xinhua pretende levar os robôs a centros educacionais, espaços de recepção de cidades e atividades culturais chinesas no exterior. Também mencionou a possibilidade de utilizá-los em coberturas sobre exploração espacial, sem apresentar um projeto definido.

O lançamento coloca a UBTECH num ambiente diferente das linhas de produção em que seus humanoides já são testados. Na redação, o desafio não está em carregar peças ou repetir movimentos industriais, mas em sustentar presença diante das câmeras, coordenar voz e rosto e responder sem abandonar o conteúdo aprovado.

A Xinhua ainda não informou quando Xinyan e Xinyu voltarão à bancada nem quanto tempo conseguem operar continuamente. O primeiro boletim divulgado serviu como apresentação pública da dupla e como demonstração do formato que a agência pretende incorporar à sua produção.

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