‘O Brasil tem 3 problemas: o fiscal, o fiscal e o fiscal’, diz economista-chefe do Santander Brasil

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Fonte da notícia: Valor Valor

O principal desafio da economia brasileira é o desequilíbrio das contas públicas, que pressiona a inflação, mantém os juros elevados e limita o crescimento do país, avaliou Marco Antonio Caruso, novo economista-chefe do Santander Brasil, a jornalistas, durante o XXII Encontro Santander América Latina.

As projeções do banco são de crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e de 1,3% em 2027. Para o próximo ano, há viés de baixa.

“No curto prazo, o Brasil tem três problemas: o fiscal, o fiscal e o fiscal”, afirmou Caruso. O economista destacou que o país acumula déficits fiscais recorrentes há mais de uma década e que as despesas públicas federais crescem acima do PIB nominal.

Um dos principais entraves para o reequilíbrio das contas, segundo Caruso, é a rigidez do Orçamento. Cerca de 90% das despesas federais são obrigatórias por determinação constitucional, o que deixa apenas 10% dos gastos sob controle do governo.

Na prática, os investimentos públicos acabam concentrando boa parte do ajuste fiscal, o que limita a capacidade de o país ampliar sua infraestrutura. A dívida pública brasileira deve alcançar 88% do PIB em 2027, segundo as estimativas do Santander.

O patamar representa aproximadamente 20 pontos percentuais acima da média dos pares emergentes. Para estabilizar a dívida, o país precisaria passar de um déficit recorrente entre 0,5% e 1% do PIB para um superávit de 1,5% a 2% do PIB.

“Isso dá mais ou menos R$ 400 bilhões que a gente precisa achar, e não tem R$ 400 bilhões sobrando na mesa. Então, esse é o tamanho do desafio.”

Na avaliação do economista, o desequilíbrio fiscal também está na origem dos juros elevados e da dificuldade de o Brasil manter a inflação próxima da meta de 3%. Caruso defendeu que o país não abandone o objetivo de inflação.

“Eu gosto de pensar os juros como um termômetro, que está mostrando para a gente que a gente está com febre. Eu não quebraria o termômetro para deixar de ter febre.”

Ele argumentou que, durante o período do teto de gastos, quando as despesas cresciam em ritmo próximo ao da inflação, o país conseguiu reduzir as expectativas de inflação de longo prazo e experimentar juros básicos de um dígito. Atualmente, destacou Caruso, as despesas crescem ao ritmo de inflação mais cinco pontos percentuais.

Para voltar a ter taxas de juros consistentemente abaixo de dois dígitos seria necessário aproximar o crescimento dos gastos para inflação mais um ponto percentual. O economista afirmou que o próximo governo terá de enfrentar esse problema para evitar a continuidade da pressão sobre a dívida, a inflação e os juros.

“Se a gente não ataca esse problema, o que acontece é que você vive com uma inflação persistentemente alta, juros persistentemente altos.” Ao falar sobre os desafios de longo prazo para o Brasil, Caruso destacou a produtividade e a demografia.

Segundo ele, parte do crescimento recente do país veio da incorporação de trabalhadores ao mercado de trabalho, mas esse movimento tende a perder força diante do baixo desemprego e do envelhecimento da população, que reduzirá a disponibilidade de mão de obra. “Portanto, se no curto prazo os nossos três problemas são fiscal, fiscal, fiscal, no longo prazo continua sendo a produtividade e a demografia.”

*A jornalista viajou a convite do Santander

Publicação Original Valor valor.globo.com
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