O álbum dos anos sessenta que uniu David Gilmour, do Pink Floyd, e Alex Lifeson, do Rush

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Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Bruce WilliamPostado em 02 de novembro de 2026 David Gilmour e Alex Lifeson construíram carreiras bastante diferentes, mas compartilham uma admiração especial por Jimi Hendrix.

O guitarrista do Pink Floyd ficou conhecido por seus solos melódicos e atmosferas cuidadosamente elaboradas, enquanto o integrante do Rush desenvolveu uma maneira de tocar que combina riffs pesados, acordes pouco convencionais e passagens instrumentais complexas. Entre suas referências, porém, aparece um mesmo álbum: "Electric Ladyland", lançado em 1968, relembra a Far Out.

O terceiro e último disco de estúdio do Jimi Hendrix Experience marcou uma fase de grande liberdade criativa para o guitarrista americano. Hendrix assumiu o controle da produção e explorou possibilidades que iam do blues ao rock psicodélico, passando por longas improvisações e experiências com efeitos de estúdio.

Entre as faixas estão "Voodoo Chile", "Crosstown Traffic", "1983... (A Merman I Should Turn to Be)" e "All Along the Watchtower", composição de Bob Dylan que ganhou uma interpretação completamente diferente nas mãos de Hendrix.

Gilmour já admirava o músico antes mesmo do lançamento de seu primeiro disco. Em entrevista à BBC, em 2006, recordou uma apresentação que presenciou em Londres, em 1966: "Fui a um clube em South Kensington.

Um garoto subiu ao palco com Brian Auger e o Trinity. Começou a tocar guitarra de cabeça para baixo, e todo mundo ficou em choque.

No dia seguinte, fui às lojas de discos perguntar se tinham alguma coisa daquele Jimi Hendrix. Ele ainda não havia gravado nada, então tive de esperar pelo primeiro lançamento".

A admiração continuou crescendo e levou Gilmour a incluir "Electric Ladyland" entre seus discos favoritos, considerando-o uma das grandes realizações da música americana. O guitarrista também destacou a importância de estudar os músicos que o influenciaram, mesmo que isso significasse passar horas tentando reproduzir seus solos.

Para ele, esse exercício ajudava o jovem instrumentista a desenvolver uma identidade própria, justamente porque ninguém consegue copiar perfeitamente a maneira de tocar de outra pessoa. Alex Lifeson demonstrou entusiasmo semelhante ao comentar "All Along the Watchtower", incluída em "Electric Ladyland".

Numa entrevista à revista Guitar World, o músico do Rush colocou a gravação entre as canções que mais influenciaram sua formação. "É uma das músicas e arranjos mais bonitos já gravados.

Hendrix pegou uma canção folk de Bob Dylan e a transformou numa sinfonia. O violão nessa música tem uma compressão maravilhosa", afirmou, referindo-se à participação de Dave Mason.

Lifeson continuou: "Ele não bate em você, ele acaricia. Essa música agarra seu coração e sai navegando com ele.

Soa diferente de tudo o que alguém já fez. Essa era a magia de Hendrix: mesmo que você copiasse o que ele gravou e tentasse tocar como ele, nunca seria a mesma coisa".

O guitarrista também recordou que conheceu o trabalho de Hendrix na casa de John Rutsey, primeiro baterista do Rush, cujos irmãos mais velhos tinham uma coleção de discos que ajudou a apresentar novos artistas aos jovens músicos. Lançado em outubro de 1968, "Electric Ladyland" chegou ao primeiro lugar das paradas americanas e se tornou o maior sucesso comercial de Hendrix nos Estados Unidos.

Também revelou sua capacidade de trabalhar como produtor, explorando efeitos, sobreposições de instrumentos e novas possibilidades de gravação. Para Gilmour e Lifeson, que seguiriam caminhos próprios no Pink Floyd e no Rush, aquelas experiências deixaram marcas profundas.

Mais de meio século depois, os elogios dos dois ajudam a entender por que o disco continua sendo uma referência para guitarristas de diferentes gerações.

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