Por Gustavo MaiatoPostado em 05 de novembro de 2026 Algumas canções deixam de pertencer aos autores e passam a fazer parte da história de um país.
Marcelo Bonfá refletiu sobre isso em entrevista ao FUNARJ Cast, quando o apresentador Maicon Fagundes perguntou o que ele sente ao ver uma música da Legião Urbana virar símbolo de quase todo momento de mudança no Brasil. A resposta tratou de "Que País É Este".
Antes de chegar ao assunto, Bonfá falou sobre o alcance das letras de Renato Russo num país de 200 milhões de pessoas que falam a mesma língua. Ele citou "Pais e Filhos" como exemplo de uma história triste que o público canta como uma canção bonita.
Para o baterista, a melodia leva o texto a uma penetração muito maior. "A música pertence à nação, né? Pertence ao Brasil, ao brasileiro.
E 'Que País É Este' vira e mexe volta. Quando tem qualquer situação de virada, de mudança, você vê 'Que País É Este'.
Eu vejo isso como um karma, sabe? Cada país tem um karma, saca? O Brasil tem um karma e é esse. Estados Unidos tem um, França, todos os países têm um karma, delimitado pela sua cultura.
Eu posso morar em Portugal, ainda vou ser brasileiro." Bonfá também diferenciou o efeito de uma letra lida no papel daquele de uma canção ouvida.
"Uma coisa é um livro na estante, outra coisa é uma música no universo pop rock, entende?", disse. Para ele, a música bate de outra forma porque tem ritmo e intenção, e o mesmo texto ganha força diferente conforme o jeito de ser dito.
A dimensão política da obra, para o baterista, vem da origem punk da banda, um gênero que nasceu para quebrar paradigmas na música e na sociedade. "Para mim, tudo é política, tudo é amor, tudo é arte", afirmou.
Ele acredita que a arte ainda é capaz de transformar o mundo: "Se tem alguma coisa que pode mudar alguma coisa, é arte."
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