Por Bruce WilliamPostado em 05 de novembro de 2026 Em 1985, o The Cure deu um salto comercial com "The Head on the Door", álbum que trouxe músicas como "In Between Days" e "Close to Me" e ajudou a transformar a banda de Robert Smith em uma atração cada vez mais popular fora do Reino Unido.
Seria natural imaginar que o passo seguinte fosse repetir a fórmula, mas o vocalista tinha outros planos e não estava disposto a deixar que o sucesso determinasse os rumos do grupo. O álbum marcou uma fase de renovação para o The Cure, com a volta do baixista Simon Gallup e uma formação que incluía Porl Thompson, Boris Williams e Lol Tolhurst.
As músicas mais acessíveis e os videoclipes dirigidos por Tim Pope ampliaram o alcance da banda, especialmente nos Estados Unidos, onde "The Head on the Door" se tornou seu trabalho mais bem-sucedido até então. Em entrevista ao jornalista Harold De Muir, publicada pelo Eastcoast Rocket em julho de 1987, Smith reconheceu a importância daquele sucesso, mas explicou que não pretendia transformá-lo em uma receita a ser seguida indefinidamente.
"'The Head on the Door' nos levou a outro nível de reconhecimento público, e foi bom poder nos afastar um pouco daquilo sem precisar nos preocupar imediatamente com o disco seguinte", recordou. O resultado foi "Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me", álbum duplo lançado em 1987, que misturava canções pop como "Why Can't I Be You?" e "Catch" com faixas mais longas e sombrias, como "The Snakepit" e "Fight".
Para Smith, essa variedade era essencial, mesmo que a gravadora preferisse um trabalho mais concentrado nas músicas de maior apelo comercial. "Seria estúpido tentar forçar alguma coisa que consolidasse o sucesso de 'The Head on the Door', concentrando-se no lado mais pop do The Cure", afirmou.
O músico acrescentou que a banda havia terminado 35 músicas durante as sessões e precisou discutir bastante para selecionar as 18 que entrariam no disco. Reduzir ainda mais o repertório significaria privilegiar um dos lados do grupo e comprometer o equilíbrio que ele procurava.
A gravadora americana também tinha suas próprias ideias sobre a produção, conta a Far Out. Segundo Smith, houve sugestões para contratar um engenheiro de mixagem dos Estados Unidos, como Bob Clearmountain, numa tentativa de tornar o som mais palatável ao público daquele país.
A possibilidade de lançar um álbum duplo e pouco preocupado com fórmulas comerciais chegou a provocar comentários sobre um possível "suicídio comercial". "Queriam usar um engenheiro de mixagem americano, alguém que tornasse o som mais aceitável aos ouvidos americanos, ou ao que eles imaginavam serem os ouvidos americanos.
Mas sempre ouvimos esse tipo de coisa das nossas gravadoras nos Estados Unidos e nunca prestamos atenção. Tudo o que fizemos sempre foi motivado por nossos próprios interesses", declarou.
A postura não impediu que o The Cure continuasse crescendo. "Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me" consolidou a popularidade internacional da banda e abriu caminho para Disintegration, de 1989, um trabalho ainda mais atmosférico e melancólico.
Smith havia descoberto que podia alcançar um público enorme com músicas pop, mas não via motivo para limitar a criatividade do grupo a esse formato.
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