O Rio de Janeiro será o palco dos atos finais das campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. No sábado (23), o senador planeja um ato de encerramento da campanha em frente ao condomínio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, na Barra da Tijuca. Já o presidente e candidato à reeleição planeja uma mobilização na praia de Copacabana, zona sul do Rio. Os dois estarão na cidade desde a sexta-feira (22), para o debate da TV Globo. Na capital, onde acontecem os atos, Flávio teve 47,9% dos votos válidos no primeiro turno e Lula, 43,9%, uma diferença de 137.837 votos. A capital é o eleitorado mais estável de Lula: ele teve 47,2% em 2002, 43,3% em 2006, 43,5% em 2022 e 43,9% em 2026. É a única região do estado onde o petista hoje está acima do que teve em 2006 e em 2022. No estado do Rio, a distância para Flávio Bolsonaro é bem maior: 1,27 milhão de votos no primeiro turno. O percentual obtido pelo petista foi o menor na comparação entre as eleições de 2002, 2006, 2022 e 2026. Lula teve seu pior percentual em 2026 Comparando os dados de votação do primeiro turno, os 3,69 milhões de votos de Lula representam 39,4% dos votos válidos, abaixo do seu pior percentual no estado entre essas eleições, o de 2002, quando obteve 40,2% dos válidos, com 3,28 milhões de votos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, teve 4,97 milhões de votos no estado, 53% dos válidos. É mais do que o pai teve em 2022, quando Jair Bolsonaro obteve 4,83 milhões de votos, 51,1% dos válidos, mas menos do que em 2018, quando Jair chegou a 5,11 milhões de votos, 59,8% dos válidos. Na eleição de 2006, Lula atingiu seu ápice, com 4,09 milhões de votos, 49,2% dos válidos. Vinte anos depois, tem cerca de 400 mil votos a menos no estado, uma perda concentrada principalmente na Baixada Fluminense, que responde sozinha por 347 mil desses votos.
Daquela eleição para esta, a fatia de Lula caiu de 68,1% para 35,1% em Magé, de 65,8% para 36,3% em Belford Roxo, de 60,6% para 37,3% em Duque de Caxias, de 61% para 36,8% em São João de Meriti e de 56,5% para 33,7% em Nova Iguaçu. A queda também foi forte fora da Baixada: em São Gonçalo, Lula passou de 59,8% para 40,4% e, em Campos, de 49,2% para 33,5%. Em 18 municípios, 2026 foi o pior resultado de Lula nas quatro eleições comparadas, abaixo até de 2002. Entre eles estão seis das dez maiores cidades do interior: Campos, base política de Garotinho, Petrópolis, Volta Redonda, Macaé, Barra Mansa e Teresópolis. A lista inclui ainda Resende, Rio das Ostras e Barra do Piraí, além de Nilópolis, na Baixada. Lula perde em cidades em que venceu em 2022 Treze municípios em que Lula foi o mais votado no primeiro turno de 2022 deram a vitória a Flávio em 2026, todos no interior: Barra do Piraí, Cambuci, Carmo, Duas Barras, Engenheiro Paulo de Frontin, Macuco, Mendes, Quatis, Quissamã, Rio Claro, Santa Maria Madalena, Trajano de Moraes e Três Rios. O caso mais forte é Quissamã, onde Lula caiu de 50,5% para 41,6%. Avanço na capital fluminense Em 20 anos, Lula ficou mais dependente da capital, enquanto o peso da capital no eleitorado diminuiu. A capital somava 35,9% dos votos de Lula no estado em 2006 e passou a 41,3% em 2026. A Baixada caiu de 27,1% para 20,6%. Ao mesmo tempo, o peso da capital no eleitorado válido do estado caiu de 40,8% para 37,1%. Niterói é a exceção fora da capital. Foi a única cidade grande do estado onde Lula cresceu de 2022 para 2026 tanto em percentual quanto em número de votos: passou de 46,6% para 48,3%. Em 2006, ele tinha 39,6% na cidade.
CBN