Enem tem alta de 29% nas necessidades especiais declaradas por candidatos

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que o número de necessidades especiais declaradas por inscritos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 cresceu cerca de 29% em relação ao ano passado. As informações definem os recursos de acessibilidade oferecidos durante a prova a participantes com condições como déficit de atenção, autismo, discalculia e dislexia.

Entre as medidas proporcionadas aos candidatos estão tempo adicional para responder as questões, autorização para uso de calculadora e auxílio para leitura. Há risco nas próximas 72 horas no Brasil? Entenda alerta da Defesa Civil

Antes e depois: Veja como era o prédio que desabou no Brás, em São Paulo Doutor em educação, Lucelmo Lacerda defende a adaptação das condições da prova:

— Temos um modelo de prova que é padrão, baseado em uma média de comportamento. Quem está dentro daquela média se ajusta.

Mas pessoas com deficiência, por exemplo, estão mais distantes dessa média. Precisamos adaptar para que a prova fique igualmente desafiadora para todos — diz.

Dos inscritos, 5.718 se enquadraram em uma categoria prevista pela primeira vez no edital deste ano: a de transtornos mentais. A novidade permitiu que pessoas com quadros de crise de ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) solicitassem a presença de um acompanhante, que fica em sala reservada para oferecer apoio, caso necessário.

Outra categoria incluída este ano é a de candidatos com fibromialgia, condição declarada por 1.752 estudantes. Tempo adicional

O recurso mais concedido foi o de tempo adicional para realização da prova, com 60 minutos extras nos dois dias do exame. Este ano, a medida vai contemplar 77.956 pessoas, o que representa um aumento de 68% em relação a 2025.

Em seguida, vem a avaliação diferenciada da redação, que atenderá 42.379 candidatos com diagnósticos como dislexia e autismo. Nesses casos, os corretores levam em consideração particularidades dessas condições ao avaliar os estudantes.

Há ainda outros recursos, como calculadora para candidatos com discalculia, distúrbio que compromete habilidades de manipular números. Este ano, 3.026 pessoas foram autorizadas a utilizar o equipamento.

O Inep também permite aparelhos para aferir glicemia e dispositivos auditivos, além de garantir provas ampliadas para candidatos com baixa visão. Provas em braile, acesso a sala especial individual e tradutores e intérpretes de Libras também estão entre as opções.

Preparação acessível A preocupação com a acessibilidade se estende à preparação para o exame.

Em Uruguaiana (RS), o Colégio União realizou neste ano, pela primeira vez, um simulado gratuito e aberto à comunidade com os mesmos recursos disponíveis no Enem. — O candidato fazia a prova exatamente como seria no dia.

Na inscrição, trazia o laudo, que era analisado. Verificávamos se o recurso seria cabível e procurávamos reproduzir como funciona — diz a coordenadora Andrea Pombo.

— O principal pedido foi por mais tempo para resolver a prova, sobretudo em casos de déficit de atenção. Foi a solicitação mais frequente e tivemos uma sala reservada apenas para essa situação.

Candidatos também conseguiram provas ampliadas e acesso a um ledor, profissional responsável por ler os textos, sem explicá-los. Andrea Pombo avalia o resultado do simulado como positivo.

— O mais importante é pensar que seja justo para todos, uma questão de paridade entre os alunos — diz. Neste ano, o grupo Cogna, que fornece ferramentas educacionais para escolas públicas e privadas, lançou um recurso que permite a correção de redações de forma adaptada a estudantes atípicos, com o auxílio de inteligência artificial e revisão humana.

O sistema é preparado para atender a quatro grupos: aqueles com transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), dislexia e disgrafia. A IA foi implementada neste ano na plataforma Red1000.

Gerente sênior de produto da Cogna, Carolina Siequeroli explica que o projeto surgiu de uma demanda das escolas que assinam a plataforma. O sistema identifica as particularidades de cada condição e leva em consideração o impacto delas na produção textual na hora de pontuar:

— Um aluno com dislexia tende a trocar muito as letras. Se fizermos a correção considerando ele como um aluno típico, ele teria uma nota muito baixa na competência de português.

O que fazemos é apontar e mostrar para onde está o problema, de uma forma instrutiva, não punitiva — explica Siequer

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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