Gravação foi feita em uma seção eleitoral de Torres (RS), onde o equipamento travou e precisou ser substituído durante a votação de 2014 Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
Um vídeo que vem viralizando nas redes sociais tem levado internautas a afirmar que uma urna eletrônica estaria registrando votos sozinha. Nas publicações, algumas pessoas dizem que eleitores teriam presenciado o equipamento emitindo sinais sonoros repetidamente, o que foi interpretado como uma suposta votação automática.
Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as imagens foram registradas em 26 de outubro de 2014, durante o segundo turno das eleições daquele ano, em uma seção eleitoral de Torres, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, a urna apresentou uma falha técnica, ficou travada e emitiu um sinal sonoro contínuo.
A urna eletrônica foi substituída por uma técnica enviada ao local, e a votação prosseguiu normalmente. De acordo com o registro oficial do cartório eleitoral, não foram constatadas irregularidades.
Assista ao vídeo abaixo: Urna eletrônica apresentou falha técnica durante votação em Torres, no Rio Grande do Sul, e precisou ser substituídaVídeo: Reprodução/X
A gravação mostra uma urna emitindo repetidamente um sinal sonoro, sem que um eleitor esteja diante do equipamento. O conteúdo voltou a circular em 2026 acompanhado da alegação de que a máquina estaria registrando votos automaticamente durante a prorrogação da votação após as 17h.
A checagem publicada pelo TSE classifica a alegação como falsa. O órgão explicou que o equipamento estava inoperante e que o barulho não significava que votos estavam sendo computados.
A ocorrência foi registrada por volta do meio-dia de 26 de outubro de 2014, na seção 2 da 85ª Zona Eleitoral, em Torres. A presidente da seção informou ao cartório que a urna estava travada.
Uma técnica foi enviada para verificar o problema e confirmou que o equipamento não estava funcionando. A urna foi substituída conforme os procedimentos de contingência previstos pela Justiça Eleitoral, permitindo a continuidade da votação.
Segundo o TSE, o registro de um voto depende da identificação e da habilitação do eleitor, além da interação com a urna para digitar e confirmar as escolhas. Nas Eleições 2026, o procedimento de identificação inclui a apresentação de documento oficial com foto e a conferência dos dados pelo mesário.
A validação também pode ocorrer por meio da biometria, quando disponível e reconhecida pelo sistema. Quando a digital não é reconhecida ou o eleitor não possui biometria cadastrada, existem procedimentos específicos para confirmar a identidade, como a habilitação por ano de nascimento e a assinatura no caderno de votação.
A ausência de reconhecimento biométrico, portanto, não significa que a urna esteja liberada para registrar votos automaticamente. A Justiça Eleitoral também apresentou documentos da seção em que ocorreu a falha.
Antes do início da votação, às 7h28 de 26 de outubro de 2014, foi impressa a zerésima ( relatório oficial que comprova que a urna eletrônica ainda não recebeu nenhum voto), documento que registra a ausência de votos para todos os candidatos, além de votos brancos e nulos. Já o boletim de urna emitido após o encerramento da votação registrou o comparecimento de 310 eleitores.
Na disputa presidencial, foram contabilizados 187 votos para Aécio Neves, 108 para Dilma Rousseff, sete votos brancos e oito nulos. Segundo o TSE, o diretório regional do PSDB solicitou cópias da zerésima, do boletim de urna e da ata da seção em 29 de outubro de 2014.
A documentação foi disponibilizada ao partido. Posteriormente, o PSDB realizou uma auditoria sobre as eleições daquele ano.
Conforme esclarecimento publicado pela Justiça Eleitoral, a análise não encontrou evidências de fraude. O TSE reforçou que o vídeo mostra uma falha de funcionamento ocorrida em 2014, corrigida pela substituição do equipamento.
Portanto, a gravação não comprova registro automático de votos nem irregularidades nas eleições de 2026. Lidia Gabriella é repórter do ND Mais, no Núcleo Nacional, e acompanha de perto as tendências digitais e os assuntos que mais repercutem no noticiário brasileiro e mundial.
Curiosa e atenta aos temas que movimentam o país, escreve sobre comportamento, entretenimento, ciência, astrologia e assuntos que repercutem nas redes e no cotidiano dos leitores. É jornalista em formação pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e atua na área esde 2022.
Tem experiência em portal de notícias e assessoria de comunicação no Ceart-Udesc. Participou de coberturas de Carnaval, Olimpíadas e das enchentes no Rio Grande do Sul.
Também cobriu as Eleições 2024 pelo ND Mais, focada na produção de matérias factuais sobre o andamento do pleito em diversas cidades do Brasil. Leia mais ▾
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