Audiências papais a estrelas da música pop já deixaram de ser novidade há algum tempo, mas o encontro de Leão XVI com Bob Dylan na quarta-feira (4) chamou a atenção e gerou controvérsia pela vestimenta do compositor e Nobel da Literatura. No encontro no Vaticano, um dia antes do show marcado em Roma, Dylan ficou com o capuz de seu casaco cobrindo a cabeça.
Nas redes sociais, Dylan foi comparado ao Imperador Palpatine, vilão da série "Guerra nas estrelas", ou à tradicional figura da Morte, como é retratada deste a Idade Média — inclusive em igrejas. Mas para os participantes do encontro.
O padre jesuíta Antonio Spadaro, subsecretário do Vaticano para a Cultura e a Educação, responsável pela audiência, afirmou que Leão XIV "não piscou os olhos" quando Dylan entrou, uma indicação de que não houve surpresa. Madonna: Instrumental de 'Confessions II" chega hoje em vinil e no streaming
Marília Mendonça: Mãe conserva intacto quarto de cantora morta há cinco anos No debate que se seguiu nas redes sociais, fãs e observadores ressaltaram que o moletom preto com o capuz, a jaqueta e as luvas se incorporaram à imagem de Dylan nos últimos anos, então não haveria ofensa.
Mesmo as regras de etiqueta previstas para audiências papais não mencionam o que usar ou não na cabeça: o dress code recomendável é terno e gravata, de cores escuras, camisa social de manga longa e calça social de alfaiataria, e sapatos fechados e sociais. Isso se você não for Bob Dylan.
No X, em vez de falar sobre o capuz, Spadaro, ao comentar a audiência, preferiu celebrar o "sentido histórico" da reunião e, a cada passo, eu sentia que tudo poderia acontecer. O subsecretário do Vaticano lembrou que Leão XIV é um agostiniano, e em seu oitavo álbum, "John Wesley Harding", de 1967, Dylan gravou "I dreamed I saw St.
Augustine" ("Sonhei que vi Santo Agostinho"), "em que o narrador observa o doutor da igreja à procura daqueles que já venderam suas almas, testemunha seu martírio e percebe, horrorizado, que faz parte da multidão que o condenou à morte. Ele acorda sozinho, aos prantos".
A inspiração da música, acrescentou o jesuíta, foi antiga balada sobre Joe Hill, o líder sindical executado por um pelotão de fuzilamento em Utah, nos Estados Unidos, em 1915. "Dylan pôs o bispo de Hipona no lugar de Hill, transformando um grito de mobilização em uma confissão involuntária sobre nossa tendência a silenciar aqueles que nos trazem a verdade", escreveu Spadaro.
O Globo