Um e-mail pode desviar um avião: como falsas ameaças pressionam a aviação

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Um e-mail anônimo pode obrigar um avião comercial a abandonar sua rota, mobilizar caças militares e levar centenas de passageiros a desembarcar numa base aérea. Uma sequência de ameaças de bomba mostrou nesta semana como uma mensagem enviada à distância consegue acionar algumas das operações mais caras e complexas da aviação.

Ao menos 25 voos foram atingidos por alertas nesta quinta-feira (5), segundo a Reuters. Algumas aeronaves fizeram pousos não programados, outras foram escoltadas por caças e parte seguiu até o destino, onde passou por inspeções.

Nenhum explosivo foi encontrado nos casos divulgados. Foi a segunda onda registrada na Europa nesta semana.

Na terça-feira, pelo menos sete voos e um navio de cruzeiro já haviam sido alvos de ameaças posteriormente descartadas. Um dos casos mais graves envolveu um Airbus A320 da Aer Lingus que viajava de Dublin para Roma com 151 passageiros e seis tripulantes.

Depois do alerta, o avião foi desviado para a base militar de Évreux, a oeste de Paris, e escoltado por aeronaves da Força Aérea francesa. Os ocupantes foram levados para uma área segura enquanto especialistas examinavam o avião.

A companhia precisou então reorganizar a viagem para que os passageiros chegassem ao destino original. A mesma ameaça, respostas diferentes

Nem todos os alertas produziram um desvio. Um voo da Finnair entre Helsinque e Roma recebeu escolta da Força Aérea italiana, mas pousou no aeroporto previsto.

A aeronave foi inspecionada por especialistas, que não encontraram nada suspeito. Três voos da Ryanair com destino a Sófia também foram acompanhados por caças búlgaros.

Dois chegaram à capital, enquanto o avião que havia partido de Londres foi direcionado para o aeroporto de Plovdiv. Na República Tcheca, quatro aeronaves que seguiam para Praga receberam ameaças enviadas por e-mails anônimos.

A polícia avaliou a credibilidade das mensagens como baixa, mas acionou as medidas de segurança e determinou que os aviões fossem inspecionados depois do pouso. A diferença entre os casos mostra que um alerta não provoca automaticamente uma resposta idêntica.

Autoridades, companhias e aeroportos avaliam as informações disponíveis e as condições de cada voo para decidir se a aeronave deve mudar de rota, receber escolta ou prosseguir até o destino. A Finnair afirmou à AFP que segue um processo definido para esse tipo de situação e trabalha em conjunto com as autoridades locais.

Os critérios detalhados empregados nessas decisões não foram divulgados. Uma mensagem mobiliza uma cadeia inteira

Mesmo quando a ameaça é considerada pouco confiável, ignorá-la traz um risco que empresas e autoridades não podem assumir. A resposta pode envolver pilotos, controladores de tráfego aéreo, forças militares, policiais, equipes de emergência, especialistas em explosivos e funcionários dos aeroportos.

A inspeção também não se limita à aeronave. Dependendo do caso, passageiros, tripulantes, bagagens e cargas precisam ser retirados e examinados.

Pistas e áreas de estacionamento podem ficar temporariamente isoladas, enquanto companhias reorganizam conexões e acomodam os viajantes afetados. Na terça-feira, um único e-mail enviado à operadora do aeroporto de Roma anunciou supostos explosivos em dois voos da Ryanair que chegavam de Lisboa e Dublin, segundo a ANSA.

Dois caças Eurofighter foram acionados, e os aviões, passageiros e bagagens passaram por buscas. O alerta foi descartado horas depois.

As autoridades ainda não identificaram os responsáveis pela sequência de mensagens nem estabeleceram uma ligação entre todos os episódios. Especialistas ouvidos pela Reuters afirmam que ameaças desse tipo podem ser usadas tanto para produzir interrupções quanto para observar como empresas e governos reagem.

As investigações envolvem agora forças policiais de diferentes países e unidades especializadas em rastrear comunicações digitais. Em Roma, a polícia aeroportuária e a polícia postal tentam identificar quem enviou o e-mail que mobilizou os caças e colocou dois voos sob suspeita.

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