Em sua primeira aparição pública após a derrota maiúscula do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, preferiu irgnorar temáticas relacionadas aos resultados que foram uma mensagem de repúdio direta ao seu governo. Em vez disso, nesta quarta-feira, 4, visitou o canteiro de obras do salão de baile na Casa Branca, um projeto pessoal cercado de polêmicas, e desandou a falar sobre detalhes naquela e outras reformas que avança na capital americana, Washington, D.C.
“Estamos melhorando a ‘ilha do lixo’”, disse ele, referindo-se a um campo de golfe local, às margens do rio Potomac, que também está reformulando. Enquanto sua voz ecoava entre as vigas imensas e o concreto exposto do salão de baile em construção, quase não houve menção às chamadas midterms, em que o Partido Democrata reconquistou a maioria em ambas as casas do Congresso, além de ter colecionado vitórias em governos e legislaturas estaduais, uma “onda azul” que mais pareceu um tsunami.
Continua após a publicidade Ele, sim, discorreu sobre a qualidade do mármore usado na refoma do salão, que será erguido sobre a demolida Ala Leste da Casa Branca.
“O dono da pedreira não queria vender, mas ele gostou de mim… é um veio que todos queriam há muito tempo; eu consegui — para o piso do salão de festas da Casa Branca — e vai ficar lindo”, contou a repórteres. O mandatário americano também falou sobre as plantas arquitetônicas do local (“se eu colocasse a cozinha na parte superior, perderíamos três paredes”, ponderou), e atribuiu o bom desempenho dos restaurantes em D.C.
ao seu próprio governo (“se você é dono de restaurante, não consegue encontrar um espaço”). Continua após a publicidade
Comendo a derrota pelas beiradas Ele só chegou a beirar o assunto eleições quando um repórter o questionou sobre comentários do vice-presidente J.D.
Vance, segundo os quais a guerra com o Irã teria sido a causa das pesadas perdas republicanas. “Acho que isso é, em grande parte, verdade, porque fez o preço da gasolina subir um pouco, a curto prazo.
Mas essa questão do Irã, nós precisávamos agir, e continuamos agindo”, disse Trump. Outro jornalista perguntou sobre a relação com a oposição no Congresso a partir de 2027.
“Provavelmente vou me dar bem com os democratas, a menos que queiram ser destrutivos, mas nós temos poder de veto. Então, se não gostarmos do que estão fazendo… Eles já ligaram e querem conversar sobre as coisas”, declarou.
Mais cedo, durante a madrugada, Trump já havia atribuído parte da culpa ao conflito no Oriente Médio, ao mesmo tempo que tentou se distanciar das derrotas republicanas — com ataques a pessoas como o governador do Texas, Greg Abbot, derrotado pela democrata Gina Hinojosa. Continua após a publicidade
Nos últimos meses, ele havia pedido repetidamente que seus simpatizantes “fingissem” que seu nome estivesse na cédula, mas nesta madrugada escreveu em sua rede, a Truth Social, que “eu não estava na cédula eleitoral; se estivesse, teríamos vencido COM UMA VITÓRIA ESMAGADORA”. O mandatário afirmou ainda que vai se tornar o “Senhor Veto” para barrar projetos de lei avançados pelo Congresso democrata, uma mensagem que reforçou nas redes sociais, ao publicar a imagem de um boné vermelho com uma única palavra estampada: “VETO”.
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