HGG anuncia credenciamento de novas equipes transplantadoras após atingir marca de 1,5 mil procedimentos em Goiás

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O Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) vai ampliar sua capacidade de transplantes com o credenciamento de pelo menos mais uma equipe de transplante hepático.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 6, durante a celebração da marca de 1,5 mil transplantes realizados na unidade, que é o maior centro transplantador da Região Centro-Oeste. A nova equipe, segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), contribuirá para fortalecer a estrutura e ampliar a capacidade de realização de transplantes em Goiás.

Durante coletiva de imprensa, o secretário de Estado da Saúde de Goiás, Rasível dos Reis Santos Júnior, afirmou que a conquista representa um marco, mas que o governo busca avançar ainda mais. “É uma marca importante, mas a secretaria e o governo estão querendo mais ainda, ou seja, ampliando essas equipes aqui.

A gente chegou na marca de 1.500 transplantes aqui no HGG. Esse é um marco importantíssimo, que envolve uma estrutura de saúde muito bem pensada, planejada, que agora são 32 leitos específicos para o transplante, sendo que seis deles é para o transplante de medula óssea”, declarou.

O credenciamento de novas equipes, conforme explicou o secretário, já está em fase de andamento e responde diretamente à demanda da população. “Será pelo menos mais uma equipe de transplante hepático, para que a gente possa realmente estar fazendo frente às demandas da população”, completou Rasível.

Os números da fila de espera justificam a necessidade de ampliação. Segundo o secretário, 2.619 pessoas aguardam por um tipo de transplante em Goiás.

A maioria, 1.887, espera por córneas. Em seguida aparecem 724 pacientes à espera de um rim, sete de fígado e um de pâncreas.

Não há, atualmente, pessoas na fila aguardando transplante duplo de rim e pâncreas. “Sempre aparece algum outro paciente.

Goiás, além de estar sendo autossuficiente nesse tipo de transplantes aqui no HGG, também está apoiando outros estados”, ressaltou. A estrutura do HGG, conforme detalhou o secretário, conta com 32 leitos designados exclusivamente para transplantes.

São 26 leitos para órgãos sólidos (rim, fígado, pâncreas e rim-pâncreas) e seis para transplante de medula óssea. “Todos planejados para a gente ter os melhores resultados, ou seja, o local que faz transplante não recebe outro tipo de paciente para a gente ter os melhores resultados dentro do hospital”, explicou Rasível.

Programa começou em 2017 e Goiás lidera em número absoluto de transplantes renais O diretor técnico do HGG, Joan Castro, explicou que o programa de transplantes da unidade teve início em 2017, com o transplante renal, seguido pelos procedimentos de fígado, medula óssea e pâncreas.

“Se a gente for ver mesmo, já são 1.509 procedimentos. Essa semana nós já tivemos outros transplantes, agora de tarde tem mais dois, então o número continua caminhando”, afirmou.

De acordo com Joan, o maior volume de transplantes realizados no hospital é o renal. “Hoje, em número absoluto, Goiás é o estado que mais transplanta rim.

Quando a gente fala por milhão de pessoas, o Distrito Federal é o que mais transplanta. O HGG é o responsável pelo maior número de transplantes renais, de fígado e pâncreas no Estado”, detalhou.

Joan Castro | Foto:: HGG O diretor técnico também esclareceu como funciona a definição da fila de espera.

“O Sistema Nacional de Transplantes, através da Central Estadual de Transplante de cada estado, faz esse controle dessa fila. E existem critérios clínicos que priorizam um ou outro paciente.

Então, envolve tantas condições clínicas e imunológicas do paciente”, explicou. Segundo ele, quando há a oferta de um órgão, a Central Estadual alinha com as equipes transplantadoras para definir qual paciente da fila receberá o órgão.

Recusa familiar é o principal desafio e taxa chega a 66% em Goiás A gerente da Central Estadual de Transplantes (CET) da SES-GO, Katiuscia Christiane Freitas, afirmou que a recusa familiar é o maior obstáculo para o avanço das doações.

“A gente sabe que a notícia de morte é extremamente difícil. E nesse momento nós temos equipes que são capacitadas para estarem com a família e para oferecer essa possibilidade de doação em um momento tão difícil”, disse.

Segundo Katiuscia, três organizações de procura de órgãos atuam nos maiores hospitais de urgência do Estado — Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (Hugo), Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e Hospital Estadual de Anápolis Dr.

Henrique Santillo (Heana) —, o que permite abranger todo o território goiano. “A gente tem crescido no número de doações, apesar da recusa não ter diminuído.

Esse ano nós já ultrapassamos o número de doações do ano passado. Nas últimas 24 horas estamos com cinco doações em andamento, que é um feito raro de acontecer”, comemorou.

A gerente detalhou os números de 2026. “Nós tivemos 106 doadores esse ano até outubro, fechamos outubro com o número de 106, mas nós já tivemos, nas últimas 24 horas, cinco doações que estão acontecendo.

A gente acredita que vamos ultrapassar o número do ano passado, que foram 117 doações durante todo o ano”, projetou. Em 2025, conforme Katiuscia, foram registrados 700 casos de morte encefálica, dos quais 117 resultaram em doadores.

Sobre a dinâmica de autorização, a gerente afirmou que mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, inclusive com registro em cartório, a decisão final cabe à família. “Quem vai decidir é a sua família.

Entretanto, o que a gente sabe é que dificilmente uma família que conhece o desejo do seu familiar vai contra a doação. As famílias tendem a doar quando elas sabem que o familiar queria a doação.

A maioria das vezes eles vão dizer: ‘Não, eu não sei o que ele queria, a gente nunca conversou sobre isso’, e isso influencia na negativa para a doação”, esclareceu. Investimentos em logística e homenagem ao Dr.

Júlio César O secretário Rasível destacou ainda os investimentos que têm contribuído para os resultados.

“Investimentos aqui na estrutura do HGG, também a nossa Central de Transplantes, a nossa gerência de transplantes. A Katiuscia tem trabalhado muito nessa questão com as equipes transplantadoras e com os locais, também os hospitais, para ampliar a quantidade de captação de órgãos”, afirmou.

Ele citou ainda o apoio do Corpo de Bombeiros com o aeromédico, helicóptero e aviões. “Essa logística rápida é muito importante para a gente ter um tempo mais curto entre a captação e a chegada desse órgão para fazer o transplante, que isso melhora os resultados, aumenta a viabilidade do órgão”, explicou.

O evento também foi marcado por uma homenagem ao médico nefrologista Dr. Júlio César Soares Barreto, que integrou a equipe de transplantes do HGG, faleceu aos 57 anos e foi doador de órgãos, salvando até quatro pessoas.

Joan Castro relatou a emoção da equipe. “Foi, primeiro, muito doloroso pela perda.

Eu, particularmente, participei de outras etapas da doação, participei do protocolo de morte encefálica dele e ver essa generosidade de uma pessoa que doou sua vida inteira para conseguir fazer outras pessoas viverem melhor através do transplante”, contou. “No final da sua vida, ter esse gesto de generosidade e poder doar seus órgãos foi muito emocionante para toda a equipe.

O gesto ressignificou a perda dele para a equipe”, completou. Rasível também prestou solidariedade à família do médico.

“Foi um momento difícil aqui para nós, um momento de homenagem do colega. Uma pessoa de um carinho imenso, de uma gentileza, de uma genialidade.

O último gesto dele foi salvar vidas de outras pessoas fazendo a doação dos seus órgãos. Parabenizando a família aqui pela doação, elas representam as famílias doadoras desses 1,5 mil órgãos que foram transplantados, e que sem a solidariedade delas a gente não teria essa marca”, declarou.

Paciente celebra vida nova após transplante de fígado O paciente Eli Leite de Moraes, de 74 anos, recebeu seu transplante de fígado na última quinta-feira, 29, e deve ter alta nesta sexta-feira, 6.

Ele precisou do procedimento por conta de uma cirrose hepática e ficou apenas três meses na fila de espera. “Minha expectativa foi superada.

A espera foi diminuindo rápido. Rapidamente se tomaram as decisões, e essas decisões estão no resultado que sou eu aqui hoje.

Eu agradeço primeiro a equipe, com Deus e quem me doou. Eu vou me cuidar e tratar.

É uma vida nova, como se tivesse renascido. Estou feliz demais”, afirmou.

Eli Leite de Moraes | Foto: Jornal Opção Eli fez questão de demonstrar gratidão.

“Através do doador, eu agradeço, fico lisonjeado de estar nessa situação, por esse privilégio. Então, com esse sucesso, eu só tenho que agradecer a tudo, a ele, e a todos que estão em volta e minha família que me deram o apoio total”, concluiu.

O resultado alcançado demonstra a importância da assistência pública especializada para pacientes que dependem de procedimentos de alta complexidade. No caso dos transplantes renais, muitos pacientes deixam de depender de sessões frequentes de hemodiálise e passam a recuperar autonomia e qualidade de vida.

Já os transplantes hepáticos, de medula óssea e os transplantes duplos pâncreas-rim representam alternativas terapêuticas para pessoas que enfrentam doenças graves e progressivas. Leia também:

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