A Toyota Motor elevou sua previsão de lucros anuais após reportar um lucro operacional trimestral mais alto, impulsionado pela desvalorização do iene e por cortes de custos. A montadora japonesa informou, na quinta-feira, que seu lucro líquido caiu 19% em relação ao ano anterior, atingindo 759,4 bilhões de ienes (equivalente a US$ 4,79 bilhões) no trimestre encerrado em setembro.
O resultado ficou abaixo da estimativa de 779,6 bilhões de ienes, obtida em uma pesquisa com analistas realizada pela provedora de dados Quick. O lucro do mesmo período do ano anterior havia sido beneficiado por receitas não operacionais mais elevadas.
O lucro operacional subiu 34%, para 1,128 trilhão de ienes, graças à desvalorização do iene e à redução de custos, apesar das interrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio. A receita cresceu 8,6%, para 13,437 trilhões de ienes, mesmo com um volume menor de vendas de veículos.
Para o ano fiscal que termina em março de 2027, a empresa projetou uma queda de 7,2% no lucro líquido, para 3,570 trilhões de ienes — uma melhora em relação à estimativa anterior de 3,250 trilhões de ienes. A Toyota revisou para baixo sua projeção anual de vendas globais de veículos, passando de 11,18 milhões para 10,99 milhões de unidades.
As ações da Toyota chegaram a subir 15% após a divulgação dos resultados. Os papéis já apresentavam uma valorização expressiva antes do anúncio, impulsionados pela queda nos preços do petróleo e pela expectativa de um desfecho precoce para o conflito no Oriente Médio, após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
A montadora japonesa adotou medidas para mitigar o impacto das interrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio. A empresa tem estabelecido rotas alternativas para reduzir o tempo de entrega de veículos aos clientes na região.
Além disso, a montadora tem tomado providências para ampliar sua capacidade produtiva nos EUA, dando continuidade ao plano anunciado em novembro passado de investir até US$ 10 bilhões no país ao longo dos próximos cinco anos. Em julho, a Toyota anunciou que investirá US$ 3,6 bilhões para trazer de volta aos Estados Unidos, até 2030, a produção da Tacoma — sua picape de médio porte mais vendida.
A empresa planeja construir uma segunda linha de montagem para o modelo em sua fábrica de San Antonio. Atualmente, a Toyota produz a Tacoma no México.
A montadora japonesa foi afetada pelas tarifas impostas pela administração Trump. Aumentar a fabricação de veículos nos EUA ajudará a Toyota — a montadora que mais vende no mundo — a reduzir o peso dos custos tarifários em seu maior mercado.
A forte desvalorização do iene nos últimos anos impulsionou os ganhos das exportadoras japonesas, incluindo a Toyota, ao tornar seus produtos mais competitivos no exterior e elevar, em termos de ienes, o valor dos lucros obtidos fora do Japão. Nos últimos cinco anos, o iene desvalorizou-se cerca de 28% em relação ao dólar.
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