247 – A disputa pelo comando do Congresso Nacional após as eleições colocou a sucessão do Senado Federal sob novos cálculos de bastidor. Durante a edição do programa Boa Noite 247, transmitida pela TV 247, a jornalista e analista política Tereza Cruvinel apontou que, enquanto a sucessão na Câmara dos Deputados caminha de forma adiantada com o apoio partidário articulado em torno de Hugo Motta, o cenário no Senado permanece aberto — com o nome de Arthur Lira (PP-AL) despontando discretamente como uma via alternativa a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A fragilização de Alcolumbre e as conexões de bastidor Ao analisar o quadro na bancada de comentários do bloco Direto de Brasília, Cruvinel ressaltou que a situação de Alcolumbre não conta com a mesma homogeneidade de apoio que embala a Câmara.
Diferente do arranjo em torno de Motta, que reuniu declarações formais de partidos da esquerda ao Centrão, o senador amapaense enfrenta resistências e um ambiente de crescente cautela política. Cruvinel alertou para informações que circulam nos bastidores da capital segundo as quais Alcolumbre corre o risco de se tornar um nome de desgaste público devido a ligações com alvos de investigações de repercussão, como o advogado Willer Tomaz:
“Em relação ao Alcolumbre, não houve uma manifestação de apoio partidário como a que houve na Câmara (…). A situação dele é mais complicada, com informações que correm em Brasília de que, em algum momento, ele pode virar um ‘homem-bomba’ por conta de relações com esse advogado.
Se ele virar um candidato tóxico, primeiro alguns partidos vão abandoná-lo; segundo, fica muito difícil para o governo sustentá-lo.” Arthur Lira como alternativa no radar
É exatamente diante dessa instabilidade potencial que surge uma alternativa até então mantida nos bastidores: o deputado e senador eleito por Alagoas, Arthur Lira. No programa, a analista política observou que parcelas do governo e da própria bancada petista enxergam nele um articulador com perfil mais previsível e pragmático no cumprimento de acordos institucionais do que o atual presidente da CCJ do Senado.
“Há quem diga que existe uma outra candidatura à presidência do Senado, bem no forno, escondidinha, da qual não se fala ainda abertamente: a de Arthur Lira”, afirmou a jornalista. “Embora seja todo aquele estilão que a gente conhece, ele ajudou o governo em matérias importantes e, comparando com Davi Alcolumbre, há quem no PT e no governo prefira Lira por considerá-lo mais cumpridor de acordos.”
O contraponto levantado no debate pelos jornalistas Ricardo Amaral e Joaquim de Carvalho ponderou que Lira chega ao Senado como novato, o que tradicionalmente impõe barreiras regimentais e culturais entre os veteranos da Casa Alta. Ainda assim, Cruvinel reiterou que a governabilidade do Palácio do Planalto dependerá de conter o avanço da extrema direita sobre a Mesa Diretora do Senado — a casa responsável por aprovar autoridades, ministros do Supremo Tribunal Federal e comandos de agências reguladoras.
Diante da necessidade de isolar o radicalismo e assegurar pontes sólidas com o Legislativo, a movimentação de bastidor descrita por Tereza Cruvinel sinaliza que o favoritismo de Davi Alcolumbre já não é tido como uma certeza inabalável na mesa de negociações do Planalto. Confira, no Boa Noite 247, a partir de 1h42:
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