Rogério Marinho e Tereza Cristina articulam frente contra Alcolumbre

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) articulam uma candidatura única para enfrentar Davi Alcolumbre (União-AP) na eleição para a presidência da Casa, em fevereiro de 2027. Segundo reportagem de Gabriela Guido, publicada pelo Valor Econômico nesta quinta-feira (29), os dois parlamentares avaliam qual nome teria maior capacidade de reunir votos contra o atual presidente do Senado.

O movimento ocorre em meio a informações de bastidores reveladas pela jornalista Tereza Cruvinel, na TV 247, sobre o risco de desgaste político de Alcolumbre em razão de suas relações com o advogado Willer Tomaz. Durante o programa Boa Noite 247, no quadro Direto de Brasília, Cruvinel afirmou que a situação de Alcolumbre é mais delicada do que a de Hugo Motta, cuja recondução à presidência da Câmara conta com manifestações públicas de apoio de diferentes partidos.

Segundo a jornalista, informações que circulam em Brasília apontam para a possibilidade de que o senador do Amapá se torne um nome politicamente problemático para seus aliados. “Em relação ao Alcolumbre, não houve uma manifestação de apoio partidário como a que houve na Câmara (…).

A situação dele é mais complicada, com informações que correm em Brasília de que, em algum momento, ele pode virar um ‘homem-bomba’ por conta de relações com esse advogado. Se ele virar um candidato tóxico, primeiro alguns partidos vão abandoná-lo; segundo, fica muito difícil para o governo sustentá-lo”, afirmou Cruvinel.

A avaliação da jornalista se refere a riscos políticos associados a informações de bastidores, sem estabelecer a existência de irregularidades cometidas por Alcolumbre. Cruvinel também apontou a possibilidade de surgirem alternativas ao atual presidente do Senado, mencionando o nome de Arthur Lira como parte das especulações políticas em Brasília.

Oposição busca candidatura única De acordo com o Valor, Rogério Marinho e Tereza Cristina trabalham para identificar qual dos dois teria melhores condições de disputar a presidência do Senado.

Embora a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, tenha anunciado apoio à recondução de Alcolumbre, a decisão enfrenta resistências entre parlamentares. Na quarta-feira (28), Tereza Cristina divulgou uma nota afirmando que os senadores eleitos pelo PP têm autonomia para decidir seus votos.

O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) também anunciou que não seguirá a orientação da federação, alegando que Alcolumbre não deu andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Marinho é considerado o nome preferencial do PL para a disputa.

Caso não consiga reunir os apoios necessários, a candidatura de Tereza Cristina poderá ser considerada. Outra possibilidade em discussão é que a senadora assuma a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em uma eventual composição liderada por Marinho.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião para a próxima quarta-feira (4), quando o partido deverá discutir a oficialização da candidatura. “A candidatura precisará ainda passar pelo crivo do partido em uma reunião na quarta-feira.

Mas a nossa candidatura, sendo efetivada, sendo homologada pelo partido, será uma candidatura que leve em consideração a necessidade de cumprir, sobretudo, a Constituição brasileira”, declarou Marinho. Alcolumbre acena com anistia a Bolsonaro

Para tentar ampliar sua base de apoio, Alcolumbre tem intensificado as conversas com senadores eleitos, inclusive integrantes do PL que resistem à sua recondução. Segundo o Valor, o presidente do Senado tem afirmado a parlamentares da oposição que defende alguma modalidade de indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

O argumento apresentado por Alcolumbre seria a necessidade de promover uma “pacificação” política após as eleições. Aliados afirmam que ele já defendia uma redução das penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas reconhecem que o tema poderá facilitar sua aproximação com parlamentares bolsonaristas.

Apesar das resistências, interlocutores do senador avaliam que ele já reúne votos suficientes para conquistar um novo mandato, inclusive com apoios discretos dentro do próprio PL. PL teme repetir derrota de 2023

A oposição também enfrenta divisões internas sobre a conveniência de lançar uma candidatura própria. Parte dos senadores do PL teme que uma derrota contra Alcolumbre resulte na perda de espaços na Mesa Diretora e nas comissões permanentes.

O precedente é a eleição de 2023, quando Rogério Marinho enfrentou Rodrigo Pacheco e foi derrotado. Na ocasião, o PL acabou excluído da distribuição dos principais cargos do Senado.

Por isso, integrantes da legenda defendem que Marinho não apresente uma candidatura sem perspectiva concreta de vitória. Caso não consiga construir uma maioria, a alternativa seria negociar apoio a Alcolumbre em troca de participação na estrutura de comando da Casa.

O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), também desempenha papel importante nas negociações. Apesar de integrar a oposição, ele mantém uma relação próxima com Alcolumbre e teria influenciado a decisão da federação União Progressista de apoiar sua recondução.

A disputa pelo comando do Senado terá consequências diretas para o início do quarto mandato de Lula, especialmente na tramitação de reformas, indicações de autoridades e nas relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Nesse cenário, a advertência de Tereza Cruvinel acrescenta uma variável às negociações: além da resistência organizada por Marinho e Tereza Cristina, Alcolumbre poderá enfrentar questionamentos políticos relacionados às informações que circulam em Brasília sobre suas conexões com Willer Tomaz.

Caso esse desgaste se materialize, a sustentação de sua candidatura poderá ser reavaliada por partidos que hoje sinalizam apoio à sua recondução.

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