247 – Uma manifestação convocada por sindicatos, organizações indígenas e movimentos sociais para esta quinta-feira (29), em Quito, abrirá uma sequência de protestos contra o governo de Daniel Noboa no Equador. As entidades cobram medicamentos, investimentos em saúde e educação, geração de empregos e apoio à produção agrícola.
Segundo a teleSUR, com informações da agência EFE, o ato está marcado para as 16h, no horário local, e integra um calendário de mobilizações previsto até dezembro. Os organizadores acusam o Executivo de não responder às necessidades básicas da população e denunciam perseguição a lideranças sociais e políticas.
Além das reivindicações por serviços públicos e trabalho, a convocação inclui a defesa da democracia e das liberdades no país. Nelson Erazo, presidente da Frente Popular, coalizão que reúne organizações sociais, sindicais e estudantis, afirmou na quarta-feira (28) que a insatisfação abrange tanto as condições de atendimento à população quanto a falta de recursos para o campo.
“O governo não tem respostas para as necessidades do povo equatoriano, que exige medicamentos, recursos para saúde, educação e geração de empregos, mas também exige investimentos no campo para que nossos irmãos camponeses possam produzir os alimentos necessários para a população”, declarou.
Para o dirigente, a pressão nas ruas deve ser o principal instrumento de enfrentamento às medidas do presidente. Erazo afirmou que “a luta social é o caminho para parar” Noboa.
O representante da Frente Popular também acusou o governo de reagir à oposição com perseguição. Em sua avaliação, o Executivo “demonstrou desespero” ao “perseguir líderes sociais e políticos porque sabe que o povo equatoriano o punirá nas ruas e nas urnas”.
Entidades anunciam novos atos em novembro e dezembro A manifestação em Quito será a primeira de uma série de ações anunciadas pelas organizações.
De acordo com Andrés Quishpe, presidente da União Nacional de Educadores (UNE), estão previstos novos protestos nos dias 7 e 15 de novembro. Em 25 de novembro, sindicatos e entidades profissionais pretendem se somar às manifestações pelo Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.
A programação também inclui uma mobilização em defesa dos direitos humanos em 10 de dezembro, que, segundo os organizadores, será articulada com organismos internacionais. A convocação foi dirigida a trabalhadores, professores, estudantes, jovens e agricultores.
As lideranças buscam reunir esses setores em torno das cobranças por financiamento dos serviços públicos, investimentos produtivos e respeito aos direitos de organização e manifestação. Lideranças defendem rejeição a candidatos governistas
Os organizadores também vincularam os protestos à disputa eleitoral. Segundo a reportagem da teleSUR, dirigentes sindicais e indígenas pediram que a população rejeite os candidatos locais apoiados pelo governo nas eleições indicadas para 29 de novembro.
Quishpe relacionou esse apelo às críticas à condução da educação, ao abastecimento de hospitais e ao tratamento dado aos movimentos sociais. “Vamos derrotar Noboa nas ruas e nas urnas por construir um estado policial, por negligenciar a educação, por inundar as escolas, por não fornecer medicamentos aos hospitais e por criminalizar os setores sociais”, afirmou o presidente da UNE.
Com o calendário anunciado, as entidades pretendem manter a pressão sobre o Executivo nas próximas semanas, combinando reivindicações trabalhistas e sociais com atos voltados ao enfrentamento da violência contra as mulheres e à defesa dos direitos humanos.
Brasil 247