Fenômeno deve manter força durante o verão, com risco de cheias no Sul e Sudeste, avanço da seca extrema e aumento dos focos de calor na Amazônia Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
O Brasil deve enfrentar um verão sob influência de um El Niño muito forte, com efeitos que podem se estender até 2027. A previsão é de que o fenômeno mantenha elevada intensidade entre novembro e janeiro, com possibilidade de alcançar o nível mais intenso desde 1950.
A avaliação consta na quinta edição do Painel El Niño 2026–2027, divulgada no fim de outubro pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e outros seis órgãos federais. O boletim também aponta o avanço da seca extrema no país: o número de municípios nessa condição passou de quatro para 68.
Ao mesmo tempo, há previsão de aumento do risco de cheias nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul, no Sudeste, em janeiro. Embora o aquecimento das águas do Pacífico deva perder força gradualmente nos meses seguintes, os efeitos sobre a circulação atmosférica podem continuar.
A mudança tem potencial para alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões brasileiras. O El Niño ocorre em um cenário de aumento dos impactos provocados por eventos climáticos extremos.
Entre 4 de outubro e 2 de novembro, chuvas intensas, vendavais e granizo atingiram 44 municípios de 11 estados, principalmente no Paraná, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. No período, duas pessoas morreram e 1.479 precisaram deixar suas casas.
Segundo o Painel El Niño 2026–2027, os temporais severos já afetaram famílias 3,7 vezes mais do que em 2025. No acumulado de 2026, 600.923 pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas em decorrência de eventos extremos.
O número representa um aumento de 75% em relação ao ano passado, apesar de o total de pessoas afetadas ter sido 7,9% menor. A previsão do painel indica chuva acima da média no Sul do Brasil até janeiro.
O Brasil registrou 32.454 focos de calor em outubro, volume 13,2% superior ao observado no mesmo mês de 2025. Desse total, 18.907 foram identificados na Amazônia, quantidade equivalente a 2,4 vezes o registro de outubro do ano passado.
Nos 30 dias encerrados em 2 de novembro, o bioma concentrou 59,6% dos focos de calor do país. No mesmo intervalo de 2025, a participação havia sido de 29,7%.
Dois terços dos registros na Amazônia ocorreram no Pará. O estado também aparece entre as áreas com previsão de chuva abaixo da média em novembro, segundo o Inmet.
Além do risco de incêndios, que deve ser mais crítico em Roraima entre dezembro e abril, a estiagem ameaça comunidades que dependem dos rios. No Amazonas, queimadas recentes prejudicaram a qualidade do ar durante outubro.
Em Roraima, o nível do Rio Branco chegou a 36 centímetros em 3 de novembro, depois de baixar 21 centímetros ao longo de uma semana. A marca ficou a apenas 12 centímetros do menor nível já registrado para a data em Boa Vista.
O Inmet prevê chuva abaixo da média no estado durante novembro. No último El Niño forte, o Rio Branco atingiu, em Boa Vista, a menor cota de toda a série histórica, em fevereiro de 2016.
Em Manaus, por outro lado, a descida do Rio Negro perdeu velocidade. O nível do rio recuou oito centímetros na última semana, contra uma queda de 52 centímetros no período anterior.
A desaceleração é considerada um sinal de que a vazante pode estar próxima do fim. Deny Campos é repórter do portal ND Mais, responsável por trazer os destaques do cenário nacional e internacional, como a previsão do tempo no Brasil e casos de segurança que chamam a atenção em São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades.
Formado pela Feapa (Faculdade de Estudos Avançados do Pará) e com MBA em Comunicação e Marketing Digital, é jornalista desde 2018, atuou como assessor na OAB Pará e também escreve sobre política, economia e bastidores. Cobriu as Eleições 2024 pelo ND Mais, com foco na produção de matérias factuais de nível estadual e nacional sobre os pleitos municipais.
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