A União Caribenha de Futebol (CFU) anunciou nesta sexta-feira o apoio de suas 25 federações filiadas à Fifa à reeleição de Gianni Infantino para a presidência da entidade, em março de 2027. A decisão foi tomada após um processo de consulta e aprovação entre as associações da região.
O movimento representa uma vitória política para o dirigente suíço, que busca permanecer no cargo até 2031, e enfraquece a articulação de oposição formada nos últimos meses por dirigentes de diferentes confederações. O peso do anúncio está na composição da Concacaf, entidade que reúne os países das Américas do Norte e Central e do Caribe.
Das 35 federações com direito a voto na eleição da Fifa, 25 pertencem à CFU. Como o México já havia manifestado apoio a Infantino, são agora 26 associações da Concacaf, aproximadamente 74% do total, com posicionamento favorável ao atual presidente.
Embora as declarações não representem votos formalmente depositados, o alinhamento reduz consideravelmente a margem de atuação dos adversários de Infantino na região. A importância política da decisão é ainda maior porque a Concacaf havia se aproximado da Uefa e da Confederação Asiática de Futebol (AFC) em um movimento de contestação à gestão da Fifa.
O principal ponto de atrito foi uma proposta de Infantino para criar uma empresa que concentraria direitos comerciais e esportivos de competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo, com possibilidade de participação de investidores privados. O projeto provocou críticas sobre transparência e governança e acabou abandonado.
Desde então, porém, a articulação contrária ao presidente perdeu força, também com a reaproximação da direção da AFC. No comunicado divulgado nesta sexta-feira, a CFU justificou sua decisão pelos investimentos realizados pela Fifa no desenvolvimento do futebol caribenho.
A entidade mencionou programas de infraestrutura, formação técnica, competições e iniciativas voltadas ao futebol feminino e às categorias de base. Muitas das federações da região operam com recursos financeiros e humanos limitados e dependem de programas internacionais de financiamento.
A perspectiva de ampliação desses investimentos também tem sido um elemento importante nas negociações políticas para a próxima eleição. O apoio, entretanto, não veio sem ressalvas.
No mesmo documento em que anunciou a posição favorável a Infantino, a CFU defendeu maior transparência, boas práticas de governança e reformas na administração do futebol mundial. A entidade afirmou esperar que a Fifa amplie seus mecanismos de prestação de contas e assegure representação justa a todas as associações.
As reivindicações mostram que o alinhamento eleitoral não significa necessariamente concordância irrestrita com a condução política e administrativa da atual gestão. A eleição está marcada para 18 de março de 2027, durante o Congresso da Fifa, em Rabat, no Marrocos.
Infantino, no comando da entidade desde 2016, já conta com apoio importante na América do Sul, na África e na Ásia. Dois nomes manifestaram intenção de concorrer: o dirigente japonês Kozo Tashima e o ex-jogador suíço Ramon Vega.
Para oficializar as candidaturas, precisam apresentar o respaldo de pelo menos cinco federações até 18 de novembro. O movimento caribenho não encerra a disputa, mas altera a correlação de forças e torna mais difícil a construção de uma candidatura de oposição capaz de reunir votos suficientes para derrotar o atual presidente.
O Globo