Selic em 13,75% vira ringue político: governo ataca o BC e oposição culpa Lula

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Aliados de Lula pedem revisão da autonomia do Banco Central; oposição fala em 'populismo e gastança'. Economista prevê juros parados em dezembro.

Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 13,75% ao ano saiu da esfera técnica e virou disputa política no Congresso.

Foi a primeira reunião do Banco Central depois da eleição presidencial. Base e oposição usaram a pausa para reforçar suas narrativas.

Governistas acusam o mercado de punir a vitória de Lula e cobram uma revisão da autonomia do BC. A oposição culpa o governo e sai em defesa do modelo atual.

A decisão interrompe uma sequência de cinco cortes seguidos, iniciada em março, quando a taxa estava em 15% ao ano. A Selic está em 13,75% desde setembro.

O tom mais forte veio do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Para ele, a interrupção nos cortes tem motivação política.

“Vergonha! O BC interrompe a queda de juros porque o Lula ganhou. Simples assim”, disparou.

Segundo o petista, até a sexta-feira anterior à eleição o mercado contava com a vitória de Flávio Bolsonaro e com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. “Lula ganhou, e o mercado decidiu rebaixar as expectativas e apostou no freio da queda de juros.

O povo vota, mas quem manda são os barões da Faria Lima? Não dá para aceitar isso”, afirmou. O economista e professor da Universidade de Brasília Cesar Bergo contesta a tese de interferência política e diz que a decisão foi técnica.

Segundo ele, o cenário internacional piorou com a guerra e a alta do petróleo, e no Brasil pesou a volatilidade do câmbio. “O dólar, que estava previsto para chegar a dezembro em torno de R$ 5,20, ultrapassou essa faixa e está circulando na casa de R$ 5,50.

Isso pesa nos números, pesa na inflação, e os preços podem sofrer influência dessa volatilidade”, explicou. Mesmo assim, o economista admite que a eleição entrou na conta.

Bergo diz que se esperava um corte de 0,25 ponto, mas que a volatilidade cresceu nos últimos dias, “sobretudo depois da confirmação da eleição do presidente Lula”, e o BC preferiu a cautela. Às vésperas do anúncio, porém, a maior parte do mercado já apostava na manutenção.

Bancos e consultorias citavam a piora do cenário externo e as pressões inflacionárias internas. Do outro lado, o senador Jorge Seif (PL-SC) inverteu a acusação.

Para ele, o problema está no Planalto, não no BC. “Não é de hoje que alertamos sobre o perigo das interferências políticas no Banco Central.

Esse desgoverno insiste em tratar a taxa Selic como instrumento eleitoral, ignorando o impacto real no dólar, nos investimentos e no custo de vida”, criticou. O senador defendeu o modelo atual e cobrou ajuste nas contas públicas.

“A autonomia técnica do BC é fundamental para proteger a estabilidade da moeda e conter a inflação. A política monetária exige responsabilidade fiscal e visão de longo prazo, não populismo e gastança”, disse.

Seif afirmou ainda que a oposição sempre defendeu um Banco Central “livre de pressões ideológicas” e que “o tempo provou” que ela estava certa. A pressão sobre o modelo também veio do deputado Otoni de Paula (MDB-RJ).

“Até quando os interesses do mercado financeiro vão prevalecer sobre as necessidades do povo brasileiro?”, questionou. O parlamentar defende que o tema seja levado ao plenário.

“A autonomia do Banco Central precisa ser revista. O Congresso Nacional deve ter coragem de discutir esse modelo e seus efeitos sobre a economia”, afirmou.

“O Brasil precisa de juros que permitam produzir, investir e gerar empregos. Não podemos ignorar o peso dessa política sobre quem trabalha.”

A Selic serve de referência para os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e no cartão. Com a taxa parada em patamar elevado, o crédito continua caro para famílias e empresas.

Para Bergo, esse é o lado mais preocupante da decisão. “É uma má notícia, sim, sobretudo porque junto com essa manutenção da Selic veio a informação do aumento do endividamento das famílias.

A taxa de juros no Brasil é uma das maiores taxas de juros reais do planeta. Isso não é bom”, avaliou.

O impacto no campo também entrou no debate. O deputado estadual Manuel Rocha (União Brasil-BA), eleito deputado federal, alertou nesta quinta-feira (5) que os juros altos podem travar investimentos no agro.

Ele preside a Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). “A agropecuária é uma das grandes forças da economia brasileira, responsável pela geração de empregos, renda e divisas para o país.

Mas é um setor que depende de crédito para produzir, investir e crescer”, afirmou. Para Rocha, a Selic nesse patamar pesa no bolso do produtor, sobretudo num momento de preocupação crescente com o endividamento rural.

“Quando os juros permanecem tão elevados, o custo da produção aumenta, os investimentos são adiados e muitos produtores passam a enfrentar dificuldades até mesmo para manter suas atividades”, disse. A última reunião do Copom em 2026 está marcada para 8 e 9 de dezembro.

A previsão de Bergo não anima quem espera alívio no crédito: ele acredita que os juros devem continuar parados. Segundo o economista, o BC só deve voltar a flexibilizar a política monetária se o cenário melhorar, inclusive no exterior.

Na mesma linha de críticas da oposição, o senador Magno Malta (PL-ES) avaliou que a decisão do Banco Central reflete as incertezas econômicas e fiscais trazidas pelo atual governo. Segundo o parlamentar, a manutenção da taxa é um aviso claro para a condução das contas públicas.

“A decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% ao ano é um sinal de alerta para a economia brasileira. O Banco Central interrompeu a redução dos juros diante da inflação acima da meta, da instabilidade cambial e das incertezas fiscais”, afirmou.

O senador relembrou gestões anteriores para alertar sobre os riscos de um descontrole nas contas públicas e projetou cenários difíceis para as famílias brasileiras. “Aliás, a experiência do governo Dilma deveria servir de atenção: desequilíbrios fiscais e perda de confiança contribuíram para uma grave crise econômica, marcada por inflação e recessão.

Agora, Lula caminha para seu quarto mandato com dívida pública crescente, desaceleração econômica e pouca margem fiscal”, ponderou Malta. Para o parlamentar capixaba, a falta de previsibilidade fiscal afeta diretamente o poder de compra da população e impede a retoma dos investimentos.

“E a conta chega às famílias: crédito mais caro, financiamentos difíceis, endividamento e perda do poder de compra. O Brasil precisa de responsabilidade fiscal e previsibilidade.

Sem confiança nas contas públicas, não há juros menores nem crescimento sustentável”, concluiu. Joice Gonçalves é repórter do ND Mais em Brasília, de onde acompanha de perto as movimentações do Congresso Nacional, os bastidores dos Três Poderes e os rumos das Eleições 2026.

Possui sólida experiência política, tendo acompanhado ativamente os pleitos eleitorais, tanto municipais quanto gerais, nas edições de 2018, 2020 e 2022. Além de escrever matérias sobre política, processo legislativo, sociedade e comportamento, produz conteúdos que explicam decisões do governo e seus impactos na vida do leitor.

Formada em Comunicação pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), atua no jornalismo desde 2021 e tem experiência em grandes redações multimídia de TV e portais de notícia, com produção multiplataforma e projetos especiais que envolvem articulações políticas e o poder público.

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