247 – Ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli defendeu nesta segunda-feira (2) a defesa de juros menores feita pelo economista André Lara Resende, que alertou para a necessidade de redução da Selic, de 13,75% atualmente.
“Se assusta o mercado, é bom para o Brasil. Só espero que o Banco Central não se renda”.
“A proposta de ALR não fala em nenhum momento em tabelamento do juro. Pode ter meta para tudo, mas para o juro não pode? Nem com bandas? O governo não deu nenhum sinal, mas mesmo assim o mercado esperneou”, escreveu Cappelli.
Em artigo no fim de setembro, André Lara Resende argumentou que a redução dos juros até 7,5% ajudaria a controlar a inflação e diminuiria o crescimento da dívida pública brasileira. Essa interpretação contraria a visão econômica convencional de que a redução dos juros necessariamente estimula o consumo e aumenta o risco de inflação.
Em sua análise, Resende destacou que mais da metade da dívida do governo está vinculada à Selic, por meio de títulos públicos conhecidos como Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). Na prática, quando o Banco Central aumenta a taxa básica de juros, o governo passa a gastar mais para remunerar esses títulos, elevando o custo da dívida pública.
Quando a Selic diminui, essa despesa também cai rapidamente, pois os rendimentos das LFTs acompanham as mudanças da taxa básica. Como grande parte da dívida brasileira acompanha a Selic, uma redução dessa taxa diminuiria rapidamente as despesas públicas com a dívida.
Se o débito cresce menos, os investidores teriam menos motivos para temer uma crise fiscal e, por consequência, não haveria uma fuga de dólares do Brasil para o exterior. Com maior quantidade da moeda estadunidense no território brasileiro, o valor do dólar diminui, ajudando na redução da inflação – foi neste cenário que Lara Resende escreveu sobre controle inflacionário no contexto da queda dos juros.
No texto, Resende citou a dívida bruta do governo geral em R$ 10,9 trilhões, equivalentes a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), tendo custo médio de 12,68% ao ano em junho de 2026. Aplicada ao estoque da dívida, essa taxa representa uma despesa anual estimada em R$ 1,4 trilhão, ou 10,5% do PIB.
O valor de R$ 10,9 trilhões foi referente ao período de junho para julho de 2026, conforme estatísticas oficiais. A dívida brasileira chegou a R$ 11,1 trilhões em setembro, informou o Banco Central.
OI? A proposta de ALR não fala em NENHUM momento em tabelamento do juro. Pode ter meta para tudo, mas para o juro não pode? Nem com bandas? O governo não deu nenhum sinal, mas mesmo assim o mercado esperneou.
Só espero que o BC não se renda e siga reduzindo a taxa básica.— Ricardo Cappelli (@RicardoCappelli) November 2, 2026
Brasil 247