Quem quer trabalhar no Reino Unido com contrato assinado depende, na maior parte dos casos, do visto Skilled Worker, o de trabalhador qualificado. A página oficial do governo britânico sobre o emprego exigido diz que o salário precisa ser de pelo menos 41.700 libras por ano ou o going rate da profissão, o que for maior.
Além do salário, o visto Skilled Worker pede duas coisas: uma vaga que se encaixe nas regras e um empregador aprovado pelo Home Office, o ministério do Interior britânico, como patrocinador. A régua de salário mínimo vale para o certificado de patrocínio (CoS, na sigla em inglês) emitido a partir de 22 de julho de 2025.
Esse certificado é um registro eletrônico que o empregador gera para o candidato. Convertido pela cotação oficial do Banco Central (PTAX de venda de 30 de outubro, R$ 7,2633 por libra), o piso anual dá R$ 302.879,61.
Esse valor mensal equivale a 15,57 vezes o salário mínimo brasileiro, de R$ 1.621. O going rate é o salário de referência que o Home Office fixa para cada ocupação.
Cada vaga tem um código de 4 dígitos, e o candidato pode achar o seu na ferramenta CASCOT, indicada pelo próprio gov.uk. Vale sempre o maior dos dois valores.
O exemplo do próprio governo deixa claro: um emprego de 42.000 libras não serve se o going rate da função for 45.000 libras. O empregador também precisa cumprir as regras britânicas de salário mínimo e de jornada.
A orientação do Home Office aos patrocinadores, em vigor desde 8 de abril de 2026, traz duas travas a mais. O salário só conta até 48 horas por semana, e a hora paga não pode ficar abaixo de 17,13 libras, R$ 124,42.
O guia mostra o efeito: quem ganha 15 libras por hora em 48 horas semanais soma 37.440 libras no ano, abaixo do piso geral do Skilled Worker. Desde 22 de julho de 2025, a vaga normalmente precisa ser de nível de graduação, o RQF 6 do quadro britânico de qualificações.
Funções de nível médio só entram se aparecerem na lista de salários de imigração ou na lista temporária de falta de mão de obra. Há exceção para quem já tem o visto e renova com certificado de patrocínio anterior à mudança de julho de 2025.
A página dá exemplos práticos. Pedreiros, telhadores e carpinteiros podem pedir, mas ajudantes gerais de obra (construction labourers) não.
A página sobre quando o salário pode ser menor admite pagar de 70% a 90% do going rate, desde que o salário anual seja de pelo menos 33.400 libras. Isso vale para os chamados novos entrantes: quem tem menos de 26 anos, estudantes e recém-formados e quem está em formação profissional reconhecida.
O doutorado ligado à vaga também reduz a régua do Skilled Worker. Em área STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), o piso é de 33.400 libras com 80% do going rate.
Fora das áreas STEM, o doutorado exige salário mínimo de 37.500 libras e 90% do going rate. A equivalência do título passa pela Ecctis, a agência britânica que avalia diplomas estrangeiros.
Vaga na lista de salários de imigração pede 33.400 libras e o going rate cheio, mas paga taxa de visto menor. Para novos entrantes e pós-doutorado, a estadia total com o desconto fica limitada a 4 anos.
Na saúde e na educação, a página do gov.uk para essas áreas fixa piso de 25.000 libras por ano, ou mais, se a tabela salarial nacional da profissão for maior. Entram aí escalas como a do NHS, o sistema público de saúde britânico.
A regra do Skilled Worker vale tanto para o setor público quanto para o privado. Em reais, o piso fica em R$ 181.582,50 por ano, ou R$ 15.131,88 por mês.
Esse valor mensal equivale a 9,33 vezes o salário mínimo brasileiro. O governo mantém ainda o visto Health and Care Worker para parte dessas vagas.
Ele é mais barato e dispensa a sobretaxa de saúde, conforme a página geral do visto. A orientação aos patrocinadores lista pisos intermediários de 31.300 e 28.200 libras.
Eles valem só para vagas de saúde e cuidado e para a regra de transição de antes de abril de 2024. Agentes prisionais (código 3314) que renovam ou trocam de visto têm régua própria: 31.300 libras ou o going rate reduzido, o que for maior.
A página de custos cobra de quem pede fora do Reino Unido 819 libras para visto de até 3 anos e 1.618 libras acima disso. Vagas da lista de salários de imigração pagam menos.
Por cima da taxa vem a sobretaxa de saúde, a Immigration Health Surcharge, que costuma ser cobrada por ano de visto. O candidato ainda precisa mostrar 1.270 libras guardadas por 28 dias seguidos, a não ser que o empregador declare no certificado de patrocínio que cobre o sustento.
O exemplo da própria página é de um pedido feito de fora, por 2 anos: taxa e sobretaxa somam 2.889 libras, ou R$ 20.983,67. Do lado da empresa, a licença de patrocinador custa 611 libras para pequena empresa ou entidade sem fins lucrativos e 1.682 libras para as maiores.
A análise leva cerca de 8 semanas. A página sobre o conhecimento de inglês exige nível B2 do Quadro Europeu Comum (CEFR).
Vale um teste aprovado pelo governo (SELT), um diploma britânico ou um diploma estrangeiro de curso dado em inglês, confirmado pela Ecctis. O Brasil não está na lista de países dispensados, que inclui Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Quem já tinha o visto antes de 8 de janeiro de 2026 e vai renovar precisa de B1. Na lista de documentos entram a referência do certificado de patrocínio, a prova de inglês e o passaporte.
O pedido traz ainda o cargo, o salário, o código da ocupação e o número da licença do patrocinador. Dependendo do caso, o Home Office pode pedir extratos bancários, teste de tuberculose para quem vem de países listados e certidão de antecedentes criminais para educação, saúde e assistência social.
Documento fora do inglês ou do galês precisa de tradução certificada. A página geral do visto diz que o pedido pode ser feito até 3 meses antes do início do emprego.
Ele também precisa ser enviado até 3 meses depois de o certificado de patrocínio ser emitido. A decisão do Home Office costuma sair em 3 semanas para quem pede de fora do Reino Unido e em 8 semanas para quem já está no país.
O visto Skilled Worker vale por até 5 anos e pode ser renovado sem limite de vezes. A página prevê pedido de residência permanente (settlement) depois de 5 anos, sujeito a outras regras.
O titular do Skilled Worker não tem acesso a benefícios públicos (public funds). Dependentes podem ir junto se cumprirem as regras, mas, pela orientação aos patrocinadores, quem tem vaga abaixo do nível de graduação em geral não pode levar a família.
Nada disso garante o visto: a decisão é do Home Office. Cada valor deve ser conferido no gov.uk e com o empregador patrocinador antes de qualquer gasto, e até 2 de novembro o governo não tinha publicado piso diferente para 2027.
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