Santa Catarina bate recorde na produção de leite com 3,43 bilhões de litros; veja região que lidera produtividade

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Oeste concentra a maior produção leiteira de Santa Catarina, que liderou o ranking nacional de produtividade em 2025, com média de 17,21 litros por vaca em lactação ao dia O Oeste concentra parte da produção leiteira de Santa Catarina, estado que liderou o ranking nacional de produtividade em 2025.

Segundo dados da Epagri/Cepa, a média chegou a 17,21 litros por vaca em lactação por dia, índice 76% superior à média brasileira, de 9,78 litros. No mesmo ano, a produção catarinense atingiu 3,43 bilhões de litros, recorde histórico.

Entre 2016 e 2025, o volume produzido cresceu 10,2%, enquanto o número de vacas ordenhadas diminuiu 30,1%, resultado associado ao aumento da produtividade dos rebanhos. O desempenho do estado é resultado de uma transformação na atividade leiteira ao longo dos últimos anos.

Entre 2016 e 2025, a produtividade média passou de 10,88 para 17,21 litros por vaca em lactação por dia, um crescimento expressivo no período. Ao mesmo tempo, o número de vacas ordenhadas caiu 30,1%, enquanto a produção total de leite aumentou 10,2%.

Em 2025, o volume produzido atingiu o recorde de 3,43 bilhões de litros. Segundo a economista da Epagri/Cepa, Andréa Castelo Branco, os resultados estão relacionados à modernização das propriedades, com melhorias na alimentação, no manejo, na genética dos animais e na gestão da produção.

Os investimentos, aliados à assistência técnica e à adoção de tecnologias, permitem produzir mais leite com um rebanho menor. O avanço também pode reduzir os custos por litro, já que despesas fixas, como instalações, equipamentos e parte da mão de obra, são distribuídas em um volume maior de produção.

No interior de Chapecó, no Oeste catarinense, uma propriedade familiar com mais de 70 anos de história é exemplo das mudanças no setor. Inicialmente voltada à produção de grãos e à criação de suínos, a propriedade passou a se dedicar à atividade leiteira há cerca de 35 anos.

Nos últimos quatro anos, a família também investiu no confinamento das vacas. A mudança contribuiu para um aumento de aproximadamente 30% na produção, conforme o produtor de leite Julian Pedro Marafon.

Atualmente, a propriedade mantém 72 vacas em lactação, com uma média de 37 litros de leite por animal ao dia. O volume mensal se aproxima de 80 mil litros.

Para alcançar esses índices, o produtor destaca a importância de garantir a alimentação dos animais e investir em genética, sem perder de vista os custos da atividade. “Precisa ter uma eficiência para a gente conseguir controlar tudo”, explica Marafon ao falar sobre os gastos com o confinamento.

Apesar dos ganhos de produtividade, ele ressalta que os investimentos precisam ser planejados com cautela. O custo elevado, a dificuldade para encontrar mão de obra especializada e as incertezas sobre o clima e o preço recebido pelo leite estão entre os principais desafios.

A força da atividade no Oeste está associada à presença de propriedades familiares e à profissionalização dos sistemas produtivos. A busca por maior eficiência tem levado produtores a aprimorar o manejo dos rebanhos, a alimentação e a estrutura das propriedades.

O caso de Chapecó demonstra como mudanças na condução da atividade podem elevar a produtividade. No entanto, o aumento da produção exige planejamento, especialmente em sistemas de confinamento, que demandam investimentos e fornecimento regular de alimentos para os animais.

Marafon afirma que a alimentação é uma das prioridades da propriedade, já que o desempenho das vacas depende diretamente da qualidade e da disponibilidade da dieta. O produtor também aponta a dificuldade de prever a remuneração pelo leite.

Segundo ele, a família produz durante cerca de 30 dias e pode receber o pagamento aproximadamente 45 dias depois, sem saber antecipadamente qual será o valor final. Apesar dos números positivos de produtividade, a rentabilidade continua sendo um desafio para o setor.

O levantamento da Epagri/Cepa aponta que o preço médio pago ao produtor catarinense chegou a R$ 2,66 por litro em outubro, uma queda de 5% em relação a agosto. A oscilação dos preços dificulta o planejamento financeiro e pode adiar investimentos nas propriedades, principalmente entre os pequenos produtores, que geralmente têm menos capacidade para absorver períodos de remuneração baixa.

Além do valor recebido pelo leite, os custos de produção pesam no orçamento. Alimentação dos animais, mão de obra, manutenção das estruturas e investimentos em tecnologia exigem controle constante para que o aumento da produtividade se traduza em melhores resultados econômicos.

Na propriedade de Chapecó, Marafon afirma que a mão de obra especializada também está entre as dificuldades. Para ele, a decisão de investir precisa considerar os riscos e a capacidade de manter a atividade funcionando com segurança financeira.

As condições climáticas representam outro ponto de atenção para a atividade leiteira em Santa Catarina. Segundo a Epagri/Cepa, o excesso de chuvas associado à possibilidade de ocorrência do El Niño pode prejudicar lavouras de milho e soja, comprometer a qualidade das pastagens e aumentar os custos da alimentação animal.

O impacto pode ocorrer em diferentes etapas da produção. Com dificuldades para produzir ou armazenar alimentos de qualidade, os produtores podem precisar recorrer a alternativas mais caras para manter a dieta dos rebanhos.

Na propriedade de Chapecó, a preocupação também faz parte do planejamento. Marafon afirma que a dependência das condições climáticas gera insegurança, especialmente porque a alimentação influencia diretamente a produtividade dos animais.

Para os pequenos produtores, a combinação de preços instáveis, custos elevados e riscos climáticos é ainda mais preocupante, já que pode limitar a capacidade de realizar novos investimentos. A expectativa da Epagri/Cepa é de continuidade dos ganhos de produtividade e de crescimento da produção leiteira catarinense nos próximos anos.

Os avanços tecnológicos e a profissionalização das propriedades devem contribuir para manter o Estado entre os destaques nacionais. Por outro lado, a redução do número de produtores e a concentração da produção exigem atenção.

O desafio, segundo a análise da Epagri/Cepa, não está apenas em ampliar o volume produzido, mas também em garantir que os ganhos de eficiência se convertam em renda e sustentabilidade econômica para as famílias rurais. Mesmo diante das incertezas, a atividade leiteira mantém importância econômica e social em Santa Catarina, especialmente por representar uma fonte regular de renda ao longo do ano para muitas famílias do campo.

Victória Veiga é repórter do portal ND Mais na redação de Chapecó, de onde escreve matérias sobre o que há de mais importante no Oeste de Santa Catarina. Acompanha e assina notícias sobre segurança pública, trânsito, agronegócio e infraestrutura, cobrindo Chapecó, Concórdia, Xanxerê, São Miguel do Oeste e cidades do Meio-Oeste e Extremo-Oeste catarinense.

Formada em Jornalismo pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), atua na área desde 2024 e tem experiência em jornal impresso e digital, além de atuação na área de marketing, o que contribui para uma comunicação estratégica e multiplataforma. Leia mais ▾

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