Depois de apoiar Flávio Bolsonaro, a FPA diz que vai dialogar com o governo Lula e cobrar respostas urgentes para o campo. A renegociação das dívidas rurais será o primeiro teste.
“A Frente Parlamentar da Agropecuária não existe para atender governo nenhum. A FPA existe para atender os interesses dos produtores rurais.”
A frase de Pedro Lupion resume o recado que faltava nesta sequência pós-eleição da coluna. O presidente da FPA deixa claro como a bancada pretende lidar com o governo reeleito: conversa quando houver espaço para avançar e cobrança forte quando a conta cair no colo do produtor.
A FPA apoiou oficialmente Flávio Bolsonaro e com Lula reeleito, a divergência política está posta. Mas, para quem vive da atividade rural, a safra, o crédito e as dívidas não entram em recesso ou “ressaca” eleitoral.
Lupion diz que a bancada será próxima do governo nas pautas convergentes e crítica às medidas que prejudiquem o setor. A régua, segundo ele, é o efeito sobre o campo e sobre quem produz.
Pedro Lupion afirma que a FPA vai se aproximar do governo nas pautas convergentes e cobrar com força medidas que prejudiquem o campo e o produtor rural.Vídeo: Letícia Schlindwein/ND Mais A bancada já esteve ao lado do governo Lula em pautas como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal.
Também entrou em rota de colisão quando entendeu que medidas poderiam prejudicar o financiamento do agro, como a tributação de títulos ligados ao setor e a chamada “MP do fim do mundo”. O recado a Lula, portanto, não é um cheque em branco, nem uma promessa de confronto permanente.
É uma condição de trabalho: a FPA quer ser ouvida quando uma decisão mexer com a vida do produtor. Lupion também defendeu mais diálogo depois de uma eleição que, nas palavras dele, deixou o país “completamente rachado, completamente dividido”.
Só falta agora Brasília mostrar que ouviu, ou que ouvirá, a maior e mais forte bancada do Congresso. A Medida Provisória 1.376/2026, que trata da renegociação das dívidas rurais, foi o principal assunto dessa primeira reunião pós eleição.
Até segunda-feira (26) haviam sido contratados cerca de R$ 14,3 bilhões. A expectativa do Ministério da Fazenda era de aproximadamente R$ 100 bilhões em renegociações.
A diferença entre a previsão e o que de fato chegou às operações acende um alerta. Produtores relatam exigência de entrada de 15% da dívida e de novas garantias, mesmo quando já há garantias vinculadas aos contratos anteriores.
Lupion defende que essas garantias possam ser reaproveitadas na renegociação. A MP precisa ser analisada pelo Congresso até 11 de novembro.
A FPA considera insuficiente o relatório apresentado pelo deputado Paulo Pimenta e articula mudanças, a volta do projeto de lei que serviu de base à proposta, ou, um voto em separado. O relógio da tramitação corre e a dívida do produtor também.
A FPA anunciou que vai conversar com o governo Lula e o produtor rural precisa que essa conversa produza condições reais para renegociar, recuperar acesso ao crédito e planejar a próxima safra. Uma renegociação que existe no papel, mas esbarra em entrada alta e novas garantias, resolve pouco para quem está tentando manter a atividade de pé.
E é aí que a frase de Lupion deixa de ser apenas um recado político: se a FPA serve ao produtor, terá de medir o diálogo pelo resultado que chega à propriedade. Lula tem a oportunidade de conversar com uma bancada ainda mais forte, que já avisou como vai cobrar.
A dívida rural não espera a próxima reunião e o produtor também não pode esperar indefinidamente por Brasília.
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