Lula poderá reformular 100% das reguladoras até o fim do novo mandato

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Fonte da notícia: Poder 360 Poder 360

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá ter indicado os titulares de todas as 59 cadeiras de direção das 12 agências reguladoras federais até o fim de seu 4º mandato, em 2030. Levantamento do Poder360, com informações das próprias agências, mostra que 18 postos estão vagos e outros 41 terão seus mandatos encerrados até o fim do próximo governo.

Os mandatos dos diretores das agências reguladoras são, geralmente, de 5 anos (podendo excepcionalmente chegar a 6) e são escalonados para evitar a substituição simultânea de todos os integrantes. Segundo a lei nº 9.986 de 2000, a contagem começa imediatamente depois do término do mandato anterior, independentemente da data de indicação, aprovação ou posse do sucessor.

Assim, eventuais atrasos na escolha dos novos dirigentes reduzem o período efetivo de exercício do cargo. Os últimos dirigentes indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixarão seus postos até 2028, abrindo espaço para Lula escolher os sucessores.

As indicações, no entanto, precisam passar por sabatina e aprovação do Senado antes da nomeação pelo presidente da República. O maior número de vagas atualmente está na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que tem 3 das 5 cadeiras ocupadas por diretores interinos.

A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a ANM (Agência Nacional de Mineração) e a Ancine (Agência Nacional do Cinema) têm 2 vagas sem titulares cada uma. No caso da ANM, os mandatos do diretor-geral, Mauro Henrique Moreira Sousa, e do diretor Caio Mário Trivellato Seabra Filho terminam em 4 de dezembro.

Com outras 2 cadeiras já ocupadas por substitutos, a agência poderá chegar a 2027 com só 1 dos 5 postos preenchidos por um dirigente titular com mandato vigente. Outras mudanças estão marcadas para 2027.

Na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o mandato do diretor-geral Sandoval Feitosa chegará ao fim. Ele e a diretora Agnes da Costa foram indicados por Bolsonaro.

Lula já escolheu 2 nomes para a agência: Willamy Frota e Gentil Nogueira. Agnes ficará no cargo até dezembro de 2028.

Ela foi enquadrada em uma norma que permite mandatos de até 6 anos para evitar que todos os dirigentes de uma agência deixem seus cargos simultaneamente, garantindo a renovação escalonada da diretoria. Na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), 2 mandatos se encerram de novembro de 2026 a março de 2027, somando-se a uma vaga aberta em outubro.

Lula já indicou o diretor-geral Artur Watt e o diretor Pietro Mendes para o comando da agência. A ANA também aguarda a escolha de um novo diretor-presidente desde janeiro de 2026, quando terminou o mandato de Verônica Sánchez.

DISPUTA POR INDICAÇÕES A advogada Fernanda de Paula, especialista em Direito Regulatório e responsável pela Fernanda de Paula Advocacia e Consultoria Jurídica, avalia que a recomposição das diretorias será um dos principais desafios políticos do novo governo. 

Segundo ela, o Senado exerce forte influência sobre a escolha dos dirigentes há pelo menos uma década, e a tendência é de maior dificuldade para Lula negociar as indicações diante de uma composição mais à direita na Casa. Para a especialista, os cargos podem se tornar instrumentos de negociação política entre o Executivo e os senadores.

Fernanda também manifesta preocupação com o perfil dos futuros indicados. Na avaliação dela, o governo petista já privilegiou relações políticas em detrimento de critérios técnicos em algumas nomeações.

A advogada defende diretorias com profissionais de diferentes formações, incluindo servidores públicos, representantes da iniciativa privada, advogados e economistas, para ampliar a capacidade técnica e a interlocução com os setores regulados. SENADO À DIREITA

A especialista afirma que eventuais impasses com o Senado podem prolongar a permanência de diretores substitutos e comprometer o funcionamento das agências.  “Eu acho que as indicações vão ficar muito travadas e tem risco de a gente chegar num ponto de quase paralisação das agências“, declarou. 

Pela legislação, um mesmo substituto não pode exercer interinamente o cargo por mais de 180 dias consecutivos. O cenário de resistência às indicações do governo será reforçado pela nova composição do Senado, que terá maioria de direita a partir de fevereiro de 2027.

Segundo levantamento do Poder360, 49 dos 81 senadores estarão alinhados à direita, ante 27 à esquerda e 5 ao centro.  O PL, partido de Bolsonaro, terá a maior bancada, com 28 integrantes.

A configuração poderá ampliar o poder de negociação da oposição sobre as nomeações de Lula, que dependerão de aprovação por maioria simples dos senadores presentes, desde que haja quórum de votação.

Publicação Original Poder 360 poder360.com.br
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