Urbanismo Social Regenerativo pretende construir, com moradores de 21 comunidades de Florianópolis, um plano de longo prazo que integre infraestrutura, inclusão social e preservação ambiental Melhorar a qualidade de vida dos moradores das 21 comunidades do Maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis, é o objetivo de um projeto que pretende integrar planejamento urbano, inclusão social e preservação ambiental.
O projeto Juntos Pelo Maciço – Urbanismo Social Regenerativo no Morro da Cruz propõe construir, com a participação da comunidade, um plano de longo prazo que integre infraestrutura, serviços públicos, mobilidade e espaços de convivência, respeitando as características e as necessidades do território.
A primeira reunião comunitária ocorreu na noite de ontem (21), e marcou o início da escuta das lideranças locais. O encontro reuniu representantes das comunidades e das instituições que integram a iniciativa.
A próxima etapa prevê oficinas para identificar demandas, desafios e oportunidades em cada território. A mobilização tem como motivação uma provocação do presidente do Grupo ND, Marcello Corrêa Petrelli, que incentivou a busca por soluções para o Maciço no início deste ano.
A partir desse movimento, foi formada uma coalizão de entidades públicas, privadas e da sociedade civil para somar conhecimentos, recursos e capacidade de articulação. Participam o LUA (Laboratório de Urbanismo e Arquitetura), Arq.Futuro Projetos do Insper, ICOM (Instituto Comunitário Grande Florianópolis) e o Floripa Sustentável, além da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), ACIF (Associação Empresarial de Florianópolis) e Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis), Instituto Pedra Branca e Grupo ND.
A prefeitura coordena o projeto institucionalmente. “Estamos aqui para pensar a cidade para o futuro.
Esse é um processo de planejamento que precisa estabelecer, em conjunto com as comunidades, o que queremos para o Maciço e como tornar essas transformações possíveis”, afirma a secretária municipal de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Ivanna Carla Tomasi. Durante o encontro, as lideranças comunitárias foram ouvidas e puderam apontar necessidades relacionadas à infraestrutura, à criação e melhoria de áreas de lazer, ao transporte e à regularização de serviços básicos.
As contribuições serão incorporadas ao diagnóstico do território, que também contará com dados técnicos para orientar as próximas etapas. A proposta do urbanismo social regenerativo é tratar os desafios de forma integrada.
Moradia, saneamento, mobilidade, acesso a serviços públicos e preservação ambiental são questões conectadas e, por isso, precisam ser pensadas em conjunto. O projeto também considera o valor ambiental do Maciço e a necessidade de proteger áreas naturais, encostas e nascentes.
A subsecretária de Habitação, Kelly Cristina Vieira, destacou a importância da união entre poder público, comunidades e instituições parceiras. “Sozinhos, a gente não tem pernas”, afirmou, ao defender a construção coletiva como caminho para avançar nas transformações necessárias.
Para Kátia Mello, CEO da Arq.Futuro Projetos do Insper, a participação dos moradores deve estar no centro do planejamento. “O objetivo é desenvolver um plano de qualidade de vida com as pessoas, e não apenas para as pessoas.
O conhecimento de quem vive no território precisa ser incorporado ao projeto”, destaca. O educador popular e líder comunitário, padre Vilson Groh destacou a necessidade de transformar as propostas em ações concretas, com planejamento e recursos para viabilizar as mudanças.
“Não se constrói a materialidade de um projeto apenas com ideias; é preciso sustentabilidade financeira para investir e fazer as coisas acontecerem”, afirmou. Já Rode Anélia Martins, coordenadora de inclusão social do Floripa Sustentável, ressaltou o interesse da iniciativa privada em contribuir com as melhorias.
“A iniciativa privada está ávida por investir nessas comunidades, mas precisamos criar um ambiente que facilite esse movimento. Temos ferramentas para viabilizar melhorias, mas é preciso desburocratizar processos e pensar fora da caixa, conectando as demandas das comunidades às oportunidades de investimento”, complementou.
A experiência de Medellín, na Colômbia, referência internacional em urbanismo social, servirá de inspiração metodológica. A expectativa é que as oficinas e o diagnóstico deem origem a um plano estratégico de longo prazo, capaz de orientar futuras intervenções e articular diferentes atores em torno de um objetivo comum: conectar o Maciço ao restante da cidade, respeitando as particularidades e potencialidades de suas comunidades.
Ana Paula Gonçalves é repórter do Jornal ND, do Grupo ND, em Florianópolis. Atua na cobertura de Cidade, Cultura e Economia desde 2006, ano em que iniciou no jornalismo, com formação na Estácio de SC (Faculdade Estácio de Santa Catarina).
Acumula experiência em jornal impresso, rádio, podcast e gestão de marketing. Especializada em Gestão Empresarial e Inteligência Competitiva e com pós-graduação em Gestão de Marketing, acompanha de perto temas como Novo Urbanismo, Desenvolvimento da Cidade e Mercado Imobiliário na Grande Florianópolis.
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