Neste mês, celebramos o Dia Nacional e Internacional do Idoso, o que nos leva, como indivíduos e empresas, a uma importante reflexão sobre o que é ser idoso no ano de 2026. No Brasil, o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece que uma pessoa é considerada idosa a partir dos 60 anos.
No cenário internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também utiliza essa faixa etária como referência em estudos e políticas de envelhecimento, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) adota recortes de 60 ou 65 anos, conforme o indicador analisado. Entretanto, a própria OMS reconhece que a idade cronológica, isoladamente, não determina a capacidade física, mental ou funcional de alguém.
Essa distinção nos convida a uma reflexão importante, isto é, se estamos vivendo mais e de maneiras tão diferentes, até que ponto faz sentido continuar associando o envelhecimento ao encerramento da vida profissional? No Brasil, a expectativa de vida, segundo dados do IBGE de 2024, é de 76 anos, sendo de 73 anos para homens e de 79 anos para mulheres.
Como sempre digo, a nossa Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é de 1943, momento em que a expectativa de vida era de apenas 45 anos. Embora tenha passado por diversas atualizações, a legislação certamente não acompanha as mudanças da sociedade.
Os tempos mudaram e a expectativa de vida aumentou, mas empresas e sociedade seguem tratando a faixa dos 50 anos como velha demais para trabalhar. Se você que está lendo este artigo for demitido hoje e não estiver em um cargo de liderança, a única exceção que valoriza nossos cabelos grisalhos, certamente encontrará dificuldades para se recolocar.
Quando foi a última vez que você viu, por exemplo, um analista sênior ou um especialista com mais de 50 anos sendo contratado por uma empresa? O Estudo Diversidade, Representatividade e Percepção, da Gestão Kairós, com 26 mil respondentes e metodologia única aplicada nas empresas pesquisadas, mostra que pessoas com 50 anos ou mais representam apenas 5,2% do quadro funcional.
A inteligência artificial está transformando as competências exigidas pelo mercado. Ao mesmo tempo, a longevidade está ampliando o período potencial de participação profissional.
Essas duas transformações deveriam levar as empresas a investir em aprendizagem contínua e carreiras menos lineares. Isso não significa que experiência seja automaticamente sinônimo de competência.
Significa que descartar talentos com base na idade, em vez de avaliar suas capacidades, pode representar uma perda econômica evitável. Com os atuais avanços da tecnologia, acredito piamente que eu e você, que lê este texto, viveremos até os 100 anos ou mais.
Portanto, não há, de forma alguma, a expectativa de uma aposentadoria plena aos 60 anos. Segundo o INSS e a Emenda Constitucional nº 103/2019, a idade mínima para que as mulheres se aposentem é de 62 anos, e para os homens, de 65 anos.
Quando observo as pessoas ao meu redor nessa faixa etária, noto que estão cheias de vida, vigor e querendo ainda contribuir com a sociedade e com as empresas, além de ter uma renda digna. Talvez a grande contradição do nosso tempo seja a seguinte: nunca tivemos tantas perspectivas de viver mais, mas ainda assim encontramos muitas barreiras para continuar trabalhando à medida que envelhecemos.
De que adianta uma sociedade ampliar sua expectativa de vida se ela não amplia, na mesma proporção, as oportunidades de participação econômica e profissional? Não se trata de defender que as pessoas trabalhem até os 70, 80 ou 90 anos por necessidade, mas de garantir que a idade não determine quando alguém deixa de ser considerado capaz, produtivo ou relevante.
Para as empresas, o desafio é reconhecer que a longevidade não é apenas uma questão demográfica, mas uma transformação estrutural do mercado de trabalho. Para cada um de nós, fica uma pergunta inevitável.
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