Nem fraude, nem milagre: a aritmética da virada de Lula

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Fonte da notícia: Portal Jota Portal Jota

A carta do senador Flávio Bolsonaro (PL) afirma que acrescentar 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno seria “matematicamente impossível”. Alguns analistas também seguem incrédulos diante da dimensão do crescimento eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mas comparar os números de 2026 com os de 2022 ajuda a entender por que não é impossível. Na eleição de 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) com cerca de 60,3 milhões de votos, contra 58,2 milhões do adversário.

No primeiro turno de 2026, os dois candidatos começaram abaixo desses patamares: Lula recebeu 53,9 milhões de votos e Flávio, 56,1 milhões. Podemos chamar a diferença em relação aos resultados de 2022 de um déficit de votos.

É uma referência histórica, não um limite eleitoral. Ela ajuda a dimensionar quanto cada candidato precisava recuperar para alcançar o patamar de votação de seus antecessores.

Parte dos votos que não foram para os dois finalistas ficou com outros candidatos, foi registrada como branca ou nula, ou não chegou a ser contabilizada porque o eleitor não compareceu. No segundo turno, Lula chegou a 64,3 milhões de votos, enquanto Flávio alcançou 59,8 milhões.

O peso da votação de 2022 A comparação permite decompor esse crescimento.

Dos 10,4 milhões de votos adicionais de Lula, aproximadamente 6,5 milhões correspondem à recuperação da diferença em relação à votação de Lula em 2022. Outros 3,9 milhões representam votos acima daquele patamar.

Flávio, por sua vez, acrescentou 3,7 milhões de votos: cerca de 2,1 milhões para alcançar a votação de Jair Bolsonaro em 2022 e mais 1,6 milhão acima desse nível. Ou seja, a dimensão do crescimento de Lula não está em ter produzido 10 milhões de votos do nada.

Está em recuperar parte da diferença em relação à eleição anterior e ainda ampliar a votação em aproximadamente 3,9 milhões de votos. Comparecimento maior e menos brancos e nulos

A conta também fecha quando observamos o total de votos válidos. No primeiro turno, todos os candidatos somaram aproximadamente 119,3 milhões de votos válidos.

No segundo, Lula e Flávio chegaram a 124,1 milhões. O acréscimo líquido foi de 4,8 milhões de votos válidos.

Essa diferença é compatível com dois movimentos registrados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE): a redução dos votos brancos e nulos e o aumento do comparecimento às urnas. A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo, considerando o eleitorado nacional e sem incluir o exterior.

Foram aproximadamente 3 milhões de eleitores a mais nas urnas. É importante lembrar que essa decomposição é contábil e não identifica a origem individual dos votos.

Como o voto é secreto, não é possível determinar quantos eleitores migraram de outros candidatos para Lula ou Flávio, quantos deixaram de votar em branco ou nulo e quantos simplesmente compareceram às urnas pela primeira vez no segundo turno. A conclusão é mais simples do que parece: o crescimento de 10,4 milhões de votos de Lula não exigia que todos esses votos viessem de uma única fonte.

Eles poderiam resultar da combinação de transferências de votos, redução dos brancos e nulos e maior comparecimento às urnas. Há, porém, uma referência histórica importante.

Tomar 2022 como parâmetro mostra que esses 10 milhões de votos adicionais não surgiram do nada. Lula voltou a um patamar de votação que já havia alcançado e, desta vez, foi além dele.

A comparação não explica individualmente de onde vieram os votos, mas ajuda a dimensionar o resultado e a desmontar, do ponto de vista aritmético, a tese de que esse crescimento seria “matematicamente impossível”.

Publicação Original Portal Jota jota.info
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