Prefeito em Alagoas é denunciado por manifestação pró-Bolsonaro com ‘petista’ atrás de capim

Prefeito em Alagoas é denunciado por manifestação pró-Bolsonaro com ‘petista’ atrás de capim - Foto
Fonte da notícia: Carta Capital Carta Capital

Gestores e outros integrantes do grupo ‘Direita de BM’ pintaram os rostos de preto e reproduziram estereótipos racistas O Instituto do Negro de Alagoas denunciou o prefeito de Boca da Mata (AL), Bruno Feijó (PP), e o vice, Sérgio Salvador (União Brasil), por suspeita de racismo após uma encenação durante uma manifestação pró-Bolsonaro, um dia antes do segundo turno.

A denúncia foi formalizada na quinta-feira à Ouvidoria da Igualdade Racial do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), que diz acompanhar o caso. De acordo com o INEG-AL, Feijó e Salvador participaram de uma representação em que um homem negro, vestido com uma camiseta com o nome do presidente Lula (PT), aparece sendo conduzido por homens brancos.

Um deles oferece capim ao participante, que carrega uma enxada. O instituto afirma que os gestores e outros integrantes do grupo “Direita de BM” pintaram os rostos de preto, em uma prática conhecida como blackface, e reproduziram estereótipos racistas para ridicularizar eleitores do petista.

Além do episódio, o instituto pediu a apuração de possíveis demissões de três funcionários da prefeitura que teriam manifestado apoio ao presidente. A entidade também questiona se houve uso da estrutura municipal ou do cargo público para constranger trabalhadores em razão de suas posições políticas.

“A gente espera que os órgãos competentes façam as suas devidas apurações. Racismo, nem fora nem dentro das eleições, o INEG nunca vai permitir.

Essa prática também pode configurar crime eleitoral e crime comum”, afirma Pedro Gomes, coordenador do Núcleo de Advocacia Racial do instituto, que participou da reunião com o desembargador Antônio José de Carvalho Araújo, presidente do Comitê de Políticas de Equidade Racial do TRE alagoano.

A entidade também encaminhou as denúncias aos Ministérios Públicos estadual, federal e do Trabalho. Em nota, Feijó e Salvador negaram as acusações.

Os dois afirmaram que a pintura dos rostos reproduziu o tradicional mela-mela do Carnaval de Boca da Mata, manifestação em que foliões cobrem o corpo e o rosto com melaço. Segundo os gestores, o episódio ocorreu durante uma confraternização pelo Dia do Servidor Público, sem expediente na prefeitura, e não houve representação de pessoas negras nem intenção discriminatória.

O prefeito e o vice também negaram que funcionários tenham sido desligados por manifestar apoio a Lula. Afirmaram que contratações e demissões são atos regulares de gestão, sem relação com posicionamentos político-partidários, e classificaram as acusações como infundadas.

Wendal Carmo Repórter do site de CartaCapital no Nordeste Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu.

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