Reeleito com 34.977 votos, deputado do PSD fala sobre possível volta ao jornalismo, critica acomodação do PL nas eleições presidenciais e promete ampliar fiscalização do governo catarinense O deputado estadual Mário Motta (PSD) confirmou que não pretende disputar uma nova eleição para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) após o encerramento do segundo mandato, em 2030.
Em entrevista exclusiva ao podcast ND+ Entrevista, do Portal ND Mais, o parlamentar também revelou que considera voltar ao jornalismo, profissão que exerceu durante décadas, mas garantiu que não pretende abandonar a política. “Esse será meu último mandato efetivamente”, afirmou o deputado, ao ser questionado sobre seu futuro político.
Reeleito em outubro com 34.977 votos, Mário Motta reconheceu a redução em relação aos mais de 56 mil votos conquistados em 2022, mas avaliou que o resultado representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido durante os primeiros quatro anos na Alesc. Apesar da decisão de encerrar a trajetória parlamentar, Motta já planeja sua atuação após deixar o Legislativo.
A intenção é contribuir para a formação de novas lideranças políticas, especialmente jovens interessados em disputar cargos públicos. “Eu não pretendo me afastar da política, mesmo que retorne efetivamente à comunicação”, declarou.
O deputado revelou que conheceu aproximadamente 30 pessoas com potencial para ingressar na vida pública e pretende oferecer orientação para a formação dessas lideranças. Durante a entrevista, o deputado também analisou a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Para Motta, a vantagem conquistada pelo candidato bolsonarista no primeiro turno provocou uma acomodação na campanha, enquanto o PT conseguiu mobilizar o eleitorado e reverter o resultado. “Eu entendo que houve uma certa acomodação, uma certa euforia do partido de Flávio Bolsonaro, entendendo que era só reafirmar aquilo que conquistou no primeiro turno”, avaliou.
O parlamentar também reconheceu a capacidade de articulação dos petistas na reta final da disputa. “O PT mobilizou-se de tal forma, digno de todo o respeito a forma como ele preparou a sua campanha no segundo turno”, afirmou.
Motta considerou o resultado uma derrota significativa para o bolsonarismo e destacou a capacidade do PT de conquistar eleitores que não haviam participado do primeiro turno. Outro assunto abordado foi a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota eleitoral.
O parlamentar evitou classificar diretamente a decisão como fuga, mas afirmou que preferia que o candidato derrotado tivesse permanecido no país. “Eu gostaria que ele tivesse permanecido aqui, mas eu também não sei quais seriam os próximos passos em relação a ele”, declarou.
Na avaliação de Motta, a decisão demonstra preocupação com o ambiente jurídico brasileiro e com possíveis decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora tenha considerado a saída aparentemente precipitada, o deputado afirmou que respeita a decisão e lamentou o cenário de insegurança jurídica que, em sua avaliação, o país enfrenta.
Ao abordar a atuação na Alesc, Mário Motta afirmou que pretende manter uma postura independente diante do segundo mandato do governador Jorginho Mello (PL), mesmo com o crescimento da bancada governista. O PL conquistou 16 cadeiras na Assembleia Legislativa, ampliando sua influência sobre as decisões do Parlamento catarinense.
Motta defendeu que o fortalecimento da base do governo não pode comprometer a fiscalização dos recursos públicos. “Nós fiscalizamos mais de 2 bilhões em contratos, em licitações dos últimos 5 anos, não só do governo Jorginho, mas também do governo Moisés”, afirmou.
Segundo o deputado, o trabalho desenvolvido pelo gabinete contribuiu para identificar irregularidades em procedimentos administrativos e licitações, algumas delas encaminhadas aos órgãos de controle. Ele também destacou que não integra a base governista, mas mantém diálogo com o Executivo para aprovar projetos considerados importantes para a população.
“Digamos que eu faça uma oposição responsável”, resumiu. Um dos levantamentos apresentados pelo parlamentar envolve a infraestrutura da rede estadual de ensino.
Segundo Motta, o cruzamento de dados obtidos junto à Secretaria de Estado da Educação identificou 311 obras vinculadas a licitações em escolas catarinenses. Desse total, 297 apresentavam atrasos superiores a um ano.
Outro levantamento apontou que, entre aproximadamente 1.050 unidades escolares, apenas 17 possuíam, à época, todos os documentos de regularização considerados necessários. O deputado afirmou que os dados foram apresentados à Secretaria de Educação e utilizados para orientar medidas de regularização.
Segundo ele, atualmente o número de escolas com a documentação completa estaria próximo de mil. Para Motta, o episódio demonstra que o papel do deputado não deve se limitar à apresentação de denúncias, mas também à busca de soluções para os problemas identificados.
Para o segundo mandato, Mário Motta pretende concentrar esforços em projetos voltados à educação. Uma das iniciativas é o programa Para Mudar de Vida, que prevê inicialmente a oportunidade de 120 jovens da rede pública catarinense participarem de intercâmbios de formação técnica em países asiáticos, como China e Coreia do Sul.
A proposta envolve cursos em áreas como tecnologia da informação, eletrônica e mecatrônica, com possibilidade de obtenção de diploma com validade no Brasil e no exterior. Outro projeto mencionado é o Aurora, voltado ao enfrentamento do bullying e inspirado em experiências internacionais, especialmente na Finlândia.
O deputado também defendeu maior investimento na remuneração dos professores e na infraestrutura das escolas estaduais. Com uma carreira iniciada no rádio em 1966, Mário Motta não descarta voltar à comunicação depois de encerrar a passagem pela Alesc.
“Posso voltar à comunicação? É, confesso até que é uma expectativa”, afirmou. O deputado destacou que a experiência adquirida na política pode contribuir para uma nova etapa profissional no jornalismo, agora com o conhecimento de quem acompanhou o poder público dos dois lados.
Mesmo sem disputar novos mandatos, Motta pretende permanecer próximo da vida pública, incentivando a renovação política e compartilhando a experiência acumulada no Legislativo.
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