O governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), exonerou Silvana Gimenes do cargo de coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A decisão foi formalizada pela Casa Civil e publicada no Diário Oficial do Estado na quarta-feira (28).
No sábado anterior, ela havia criticado nas redes sociais uma declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante o debate presidencial promovido pela TV Globo, Flávio usou a expressão "nove dedos" para se referir a Lula.
Silvana publicou uma crítica à fala do senador. "Ao ouvir o 22 chamar Lula de 'nove dedos', apenas constatei o que sempre digo: o preconceito, o racismo, o capacitismo, a LGBTfobia podem estar escondidos, mas vêm sempre à tona", escreveu.
"Só quem sempre é alvo sabe o quanto é doloroso ser piada por ter uma deficiência, uma doença rara ou mesmo uma condição congênita", continuou. Socióloga, Silvana tem paralisia cerebral, decorrente de complicações durante seu nascimento.
A condição afeta sua mobilidade e sua fala. Ela foi comunicada sobre a saída na segunda-feira (26), quando chegou ao trabalho.
Em conversa com o GLOBO, afirmou que é servidora pública aposentada e que havia sido convidada, em 2023, para assumir uma função comissionada na secretaria. Ela evitou atribuir a exoneração a uma eventual pressão política.
— Seria leviano falar em perseguição política. Sempre que muda a gestão, há uma onda de mudanças.
Mas eu não posso assumir isso. É claro que, pela sequência dos acontecimentos, tem gente que pode presumir, mas eu não posso afirmar.
Acho que a gente sempre tem que falar a verdade — declarou. Em mensagem após a exoneração, a servidora destacou que, após 41 anos de atuação no serviço público, esta foi sua primeira exoneração.
"Mas que bom poder vivenciar novos sentimentos aos 65 anos! Isso só confirma que continuo jovem para aprender, me reinventar e seguir na luta por uma sociedade democrática, inclusiva e que respeite a diversidade de ideias, de corpos e de formas de existir”, escreveu. Em nota, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência afirmou que o cargo de coordenadora é de livre nomeação e exoneração e atribuiu a saída a "ajustes administrativos na Secretaria".
O Globo