Na Sorbonne, a PUC-SP reafirma em Paris sua vocação

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Na Sorbonne, a PUC-SP reafirma em Paris sua vocaçãoFonte: Profs. William Gilles e Erik Gamstrup Nada parece tão sofisticado e elegante quanto a Sorbonne, em Paris, símbolo de uma tradição universitária que remonta ao século XIII.

Afinal, Paris é sempre Paris. Foi nesse ambiente que a Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) participou das Jornadas Acadêmicas de 2026, realizadas na Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne.

A presença da instituição reafirma seu reconhecimento internacional e fortalece a ponte acadêmica entre Brasil e França, construída ao longo da última década. Na abertura do encontro, o professor Erik Frederico Gramstrup, diretor da Faculdade de Direito da PUC-SP, falou em nome de toda a comunidade acadêmica da instituição.

Em sua 11ª edição, as Jornadas reuniram pesquisadores, professores, magistrados, advogados e estudantes para debater temas jurídicos de grande relevância. A participação de representantes de diferentes países e o alto nível da programação confirmaram a dimensão internacional do encontro.

Em sua manifestação, o professor Erik começou por reconhecer o trabalho dos professores Irène Bouhadana e William Gilles, fundadores das Jornadas. A realização de onze edições e de 43 conferências internacionais do IMODEV, observou, traduz uma convicção essencial: a universidade deve ser um espaço de encontro, diálogo e liberdade intelectual.

A reflexão sobre o papel da universidade deu ao discurso um alcance que ultrapassou a cerimônia de abertura. Em uma era marcada por dados e algoritmos, afirmou o diretor, as máquinas podem armazenar vastas quantidades de conhecimento, mas não substituem a comunidade universitária: não formam pessoas, não discordam de boa-fé nem constroem entendimento.

Cabe à universidade impedir que o saber se converta em poder sem consciência. Discutir quem controla os dados e quem responde pelas decisões tecnológicas é, portanto, discutir também a própria missão universitária.

Foi nesse ponto que o diretor aproximou duas instituições de histórias e identidades distintas. A tradição universitária da Sorbonne remonta ao século XIII; a PUC-SP, fundada em 1946, construiu sua trajetória no Brasil associada à defesa da liberdade acadêmica e da democracia.

Gramstrup recordou o acolhimento, pela PUC-SP, de professores afastados das universidades públicas durante a ditadura militar e a invasão policial do campus, em 1977. Lembrou também que a universidade adotou a eleição direta para reitor antes que o país voltasse a escolher diretamente seu presidente.

A memória de maio de 1968, na França, também foi evocada. Em São Paulo e em Paris, a repressão não encerrou o debate universitário; tornou ainda mais evidente a importância da liberdade de pensar, ensinar e participar.

Essa herança comum, sustentou o professor, dá sentido à cooperação entre as instituições. A ponte entre a PUC-SP e a Sorbonne, porém, segue em permanente construção.

Mais de uma dezena de integrantes da comunidade da PUC-SP participou das Jornadas, entre professores, pesquisadores e estudantes. A programação incluiu debates sobre temas digitais e direitos fundamentais, além de uma sessão integralmente realizada em português em reconhecimento à importância do pensamento jurídico brasileiro.

O diretor apresentou quatro propostas para aprofundar essa relação: grupos permanentes de pesquisa sobre desafios comuns; intercâmbio de docentes; mobilidade estudantil em todos os níveis; e publicações conjuntas. As diferenças entre as experiências jurídicas do Brasil e da Europa, destacou, não são um obstáculo, mas um patrimônio para a pesquisa comparada.

A mensagem final foi também um convite: que a PUC-SP seja a faculdade da Sorbonne na América Latina e uma casa para seus professores e estudantes no Brasil. Nesse sentido, hospitalidade significa oferecer acesso, interlocução e colaboração acadêmica, além de compartilhar a experiência brasileira em temas como proteção de dados, regulação das plataformas e liberdade de expressão.

Ao representar a Faculdade de Direito da PUC-SP em um dos mais importantes espaços universitários da Europa, Erik Gramstrup projetou a força de sua instituição que combina tradição, compromisso democrático e abertura ao mundo. A participação nas Jornadas reforça o trabalho acadêmico que vem sendo realizado e renova a oportunidade de construir, dos dois lados do Atlântico, uma comunidade acadêmica dedicada ao diálogo livre e à responsabilidade no exercício do poder.

Foi, sem dúvida, uma importante missão. Parabéns, professor Erik Frederico Gramstrup! Parabéns à Faculdade de Direito da PUC-SP!

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