Lucro da Emirates recua com efeitos de guerra no Irã e alta nos combustíveis

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Fonte da notícia: Valor Valor

A Emirates registrou uma forte queda em seu lucro do primeiro semestre fiscal, após a guerra no Irã desestruturar rotas de voo e impulsionar os preços do combustível de aviação. A principal companhia aérea de Dubai teve um lucro após impostos de US$ 903 milhões para o período de seis meses encerrado em setembro, baixa de 66% na comparação com igual período do ano anterior.

O total de passageiros transportados no semestre encolheu 22%, caindo de 27,8 milhões para 21,8 milhões de pessoas. Segundo a companhia, o conflito no Irã impôs desafios operacionais severos em razão de restrições e fechamentos de espaço aéreo por toda a região, enquanto alertas de viagem emitidos por governos alteraram as escolhas dos consumidores e os fluxos de turismo.

O Emirates Group, holding que controla a aérea, teve lucro líquido de US$ 980 milhões, recuo que também representa uma retração de dois terços em base anual. Embora seja uma empresa de capital fechado, seus resultados são acompanhados de perto pelo mercado como um termômetro para os negócios no Oriente Médio, já que a companhia, uma das maiores do planeta em tráfego internacional, atua como um elo estratégico para o comércio e as viagens globais.

Os custos da Emirates com combustível antes de operações de proteção financeira saltaram 60%, reflexo do fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde transitavam cerca de 20% do petróleo mundial antes do início da guerra em fevereiro, o que provocou uma disparada nas cotações do querosene de aviação.

O grupo destacou que sua estratégia de derivativos reduziu o aumento líquido final da despesa com combustível para 13%. A aviação comercial tem sido diretamente tragada pela escalada militar na região, com aeroportos, aeronaves e corredores aéreos tornando-se alvos deliberados de mísseis e ataques com drones em escala sem precedentes, segundo informou o jornal The Wall Street Journal.

O Aeroporto Internacional de Dubai chegou a ser atingido por drones em março, durante investidas iranianas contra infraestruturas petrolíferas e de transporte no Golfo. Em paralelo, os preços do petróleo despencaram mais de 8% ontem após os democratas conquistarem o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, alimentando apostas de que o resultado político aumentará a pressão sobre o presidente Donald Trump para buscar uma saída diplomática para o conflito com o Irã.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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