247 – O ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, deve integrar a equipe ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu quarto mandato. Apesar da derrota na disputa pelo governo de Pernambuco, Campos é considerado por integrantes do entorno presidencial um nome praticamente certo na composição da nova administração federal.
Segundo o jornal O Globo, a expectativa de um auxiliar de Lula é que a indicação de João Campos seja apresentada na primeira reunião formal entre o PSB e o presidente reeleito para negociar os espaços do partido no governo. Ainda não há definição sobre qual ministério poderá ser destinado ao dirigente socialista.
Uma das possibilidades consideradas por interlocutores do presidente é que o PSB reivindique o Ministério da Ciência e Tecnologia. A pasta tem significado político para a família Campos, uma vez que foi comandada por Eduardo Campos, pai de João, entre 2004 e 2005, durante o primeiro mandato de Lula.
Eduardo Campos, que morreu em um acidente aéreo em agosto de 2014, quando concorria à Presidência da República, construiu uma relação de amizade com Lula durante sua passagem pelo governo federal. Essa proximidade política e pessoal é apontada como um dos elementos que sustentam a relação do atual presidente com João Campos.
PSB busca espaço no novo governo A eventual nomeação de João Campos também está relacionada à posição ocupada pelo PSB na aliança governista.
A legenda foi o principal partido aliado do PT nas eleições presidenciais de 2022 e 2026 e abriga o vice-presidente Geraldo Alckmin, que voltou a integrar a chapa de Lula na disputa deste ano. Como presidente nacional do PSB, Campos ocupa uma posição estratégica nas negociações sobre a participação da sigla no próximo governo.
Sua possível entrada no ministério ocorre em um momento no qual o dirigente está sem mandato eletivo, depois de deixar a Prefeitura do Recife para concorrer ao governo pernambucano. A indicação, entretanto, ainda depende das conversas entre as direções partidárias e o presidente.
Até o momento, não há confirmação oficial de que Campos será ministro nem anúncio sobre a pasta que poderá assumir. Derrota para Raquel Lyra não impede articulação
Na eleição estadual, João Campos tentou transformar sua proximidade com Lula em um dos principais ativos políticos da campanha contra a governadora Raquel Lyra (PSD), que disputava a reeleição. O presidente chegou a gravar imagens ao lado do candidato socialista para utilização na propaganda eleitoral, mas inicialmente evitou participar de compromissos de campanha em Pernambuco.
A decisão estava relacionada à intenção de preservar a relação política com Raquel Lyra, que manteve distância da disputa presidencial e não declarou apoio a nenhum dos candidatos ao Palácio do Planalto. Na reta final da campanha, entretanto, Lula participou de um ato eleitoral ao lado de João Campos no Recife.
De acordo com a reportagem, a avaliação entre integrantes do PT era que a presença do presidente impediria que uma eventual derrota do socialista fosse atribuída à falta de empenho de Lula na campanha estadual. A participação, porém, não foi suficiente para reverter o resultado.
Raquel Lyra venceu a disputa com 53,27% dos votos válidos, enquanto João Campos recebeu 44,82%. Apesar do revés eleitoral, o ex-prefeito permaneceu à frente do PSB e passou a ser considerado um dos nomes para integrar o novo ministério.
Lula deve definir ministério após 16 de novembro As negociações para a formação da equipe ministerial ainda estão em fase preliminar.
Segundo interlocutores citados pelo O Globo, Lula pretende começar a tomar decisões sobre a composição do governo somente depois de 16 de novembro, quando deverá retornar de compromissos internacionais. O presidente tem viagens previstas à Turquia e às Filipinas.
Em Antália, participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31). Na cidade filipina de Cebu, a agenda inclui a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático.
Brasil 247