Montagem publicada por Janja com referência a Lula reacende debate sobre símbolos religiosos na política; em episódios anteriores, CNBB e representantes católicos criticaram a exploração eleitoreira Uma montagem publicada pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, nas redes sociais colocou o Cristo Redentor no centro de uma discussão sobre a utilização de símbolos religiosos na política.
Na imagem, divulgada nesta quarta-feira (4), o monumento brasileiro aparece abraçado à Estátua da Liberdade, em Nova York, com os dois monumentos famosos fazendo o L, gesto associado a Lula em campanhas eleitorais. A publicação foi feita em meio ao avanço do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms.
Também nas redes sociais, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a postagem e disse que a falta de senso da primeira-dama o surpreendia, ao falar sobre a montagem e o contexto político da publicação. A associação de um monumento religioso a uma manifestação política levanta questionamentos sobre a posição da Igreja Católica diante da utilização de símbolos da fé em contextos partidários.
A relação entre religião e política já levou a CNBB a se manifestar contra o uso eleitoral da fé em outras ocasiões. Em outubro de 2022, durante a campanha presidencial, a entidade divulgou uma nota pública na qual condenou a utilização da religião como ferramenta para conquistar votos.
O documento foi publicado às vésperas do Dia de Nossa Senhora Aparecida, quando a presença de Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição, nas celebrações da padroeira também provocava discussões sobre a utilização política de eventos religiosos. Na nota, a CNBB afirmou repudiar “veementemente o uso da religião por todo e qualquer candidato como ferramenta de sua campanha eleitoral”.
A manifestação não citava nomes ou partidos e apresentava a orientação como um princípio válido independentemente de quem estivesse na disputa. A reação ao uso político de celebrações religiosas também ocorreu em âmbito regional.
Em outubro de 2022, durante a campanha presidencial, a Arquidiocese de Belém se manifestou sobre a participação de Jair Bolsonaro na Romaria Fluvial do Círio de Nazaré. A instituição afirmou que não havia convidado o então presidente e que não desejava nem permitia qualquer utilização de caráter político ou partidário das atividades da festa.
A santa padroeira do Brasil voltou ao centro de uma controvérsia política em setembro de 2026, durante a campanha presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Publicações nas redes sociais associaram o senador a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A informação não tinha fundamento em uma proposta em tramitação. O conteúdo fazia referência a um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que pretendia alterar o título da santa, mas a proposta foi arquivada em 2008.
Na ocasião, Flávio acusou integrantes da CNBB de ajudar o PT a disseminar a informação. Em 27 de setembro, a entidade divulgou uma nota negando ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de notícias falsas relacionadas ao processo eleitoral.
“A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura”, afirmou a instituição. O comunicado também declarou que “a mentira não se combate com outra mentira”.
Apesar de afirmar institucionalmente que não indica candidatos ou partidos, a CNBB teve sua atuação no processo eleitoral de 2026 associada a manifestações de religiosos favoráveis a Lula. Em 22 de outubro, uma carta aberta assinada por mais de 60 bispos católicos criticou posições atribuídas à candidatura de Flávio Bolsonaro e defendeu o voto em favor da democracia, dos valores humanitários e dos pobres.
O documento não mencionou Lula nominalmente, mas fez referência à candidatura que, segundo os signatários, havia demonstrado responsabilidade com os mais pobres e respeito à ordem democrática. Os religiosos se apresentaram como bispos de diversas dioceses em comunhão com a CNBB e afirmaram estar alinhados à mensagem do Conselho Permanente da entidade.
A carta, entretanto, não era um documento oficial da Conferência, mas uma manifestação dos bispos que a assinaram. Quatro dias depois, em 26 de outubro, a CNBB parabenizou oficialmente Lula e Geraldo Alckmin pela reeleição.
Em carta, a entidade desejou que o novo mandato fosse marcado pelo compromisso com o bem comum, pediu pacificação do país e defendeu o fortalecimento das instituições democráticas. A CNBB também reiterou a importância da autonomia entre Igreja e Estado e do diálogo institucional com o governo.
Diante da publicação de Janja com o Cristo Redentor, permanece a questão sobre como a Igreja avalia a associação de um símbolo religioso a uma manifestação política. Tatiana Azevedo é repórter do ND Mais em Brasília e, como parte do Núcleo Nacional, cobre o cenário político da capital federal.
Acompanha de perto as principais pautas do Congresso Nacional, Executivo e Judiciário, com foco em decisões que impactam diretamente o país. Escreve matérias sobre os desdobramentos mais relevantes da política brasileira, traduzindo temas complexos de forma clara e precisa, em reportagens que conectam fatos, contexto e implicações à vida dos brasileiros.
Também segue novidades envolvendo deputados federais, senadores, a presidência da República e outras figuras públicas. Jornalista formada em Comunicação Social com ênfase em Audiovisual pela UniverCidade, no Rio de Janeiro, tem ampla experiência em rádio, televisão e jornalismo digital, incluindo passagens por emissoras públicas e privadas.
Atuou em assessoria de imprensa no setor público e em grandes instituições, o que lhe proporcionou visão aprofundada sobre processos legislativos, políticas públicas e bastidores de Brasília. Com vasta trajetória política, cobriu as Eleições 2002 pela Rádio Câmara e atuou no núcleo de rádio do TSE e na Rádio Justiça em 2010, além de anos de cobertura pela Rádio e TV Câmara.
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