247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu de comandantes militares opções para um novo ataque ao Irã em meio ao reforço da presença militar americana no Oriente Médio e à coordenação com Israel. Segundo a teleSUR, que reúne informações do The Wall Street Journal e de outros veículos, os preparativos avançam paralelamente a uma iniciativa do vice-presidente JD Vance para abrir negociações com Teerã.
A apresentação dos planos ocorreu na quinta-feira (29), na Casa Branca. De acordo com o relato, os militares levaram a Trump alternativas operacionais para uma possível ofensiva ainda nesta semana.
Participaram da reunião o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e o comandante do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), Brad Cooper, entre outras autoridades. Na véspera, integrantes da cúpula militar haviam se reunido com Vance.
Até o momento descrito pela reportagem, não havia confirmação de uma decisão presidencial de atacar. Os deslocamentos de equipamentos e os contatos entre autoridades americanas e israelenses, entretanto, indicavam preparativos para diferentes possibilidades de emprego da força.
A emissora pública israelense KAN informou que dez aviões militares de carga dos Estados Unidos pousaram nas bases aéreas de Ovda e Nevatim, no deserto do Negev, em Israel. As aeronaves partiram de Fort Bliss, no Texas, instalação que concentra atividades relacionadas a baterias de defesa aérea e mísseis interceptores.
Também foram relatados deslocamentos de aeronaves adicionais para Jordânia, Arábia Saudita e Catar, além da transferência de um sistema de defesa antimísseis Patriot para a região do Golfo. Esses movimentos ampliam os recursos disponíveis para proteger instalações e forças americanas diante de uma eventual resposta iraniana.
Segundo a reportagem, tropas dos Estados Unidos estacionadas em bases da região receberam instruções para se retirar com o objetivo de reduzir a exposição a possíveis retaliações de Teerã. A previsão é que um porta-aviões adicional e uma unidade do Corpo de Fuzileiros Navais cheguem em novembro, somando-se aos cerca de 20 navios de guerra já mobilizados.
Um funcionário israelense ouvido pela KAN afirmou que os dois países mantêm coordenação estreita. “Embora nenhuma decisão tenha sido tomada ainda, tanto americanos quanto israelenses estão se preparando para qualquer cenário que o presidente Trump venha a determinar.”
Procurados, porta-vozes do Pentágono e do CENTCOM não comentaram as informações. A possibilidade de uma nova ofensiva provocou críticas no Congresso americano.
O senador democrata Chris Murphy classificou os possíveis planos de ataque como “insanos” e advertiu que sua execução poderia desencadear uma escalada devastadora da guerra no Oriente Médio. Ao mesmo tempo que examina alternativas militares, o governo Trump mantém uma tentativa de negociação.
Segundo informações atribuídas ao The New York Times e ao The Wall Street Journal, Vance enviou no domingo uma carta ao chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, por intermédio de mediadores do Catar. Na mensagem, o vice-presidente propôs uma reunião formal na semana seguinte, com Catar e Turquia entre os possíveis locais.
Vance lideraria a delegação americana nas conversas sobre o programa nuclear iraniano. A proposta busca estabelecer uma estrutura de negociação e identificar pontos de convergência que possam convencer Trump a não ordenar um ataque breve e intenso.
A realização do encontro, porém, ainda não estava confirmada. Embora Teerã não tivesse divulgado uma resposta pública à carta, fontes citadas pelos veículos americanos disseram que a mensagem foi “bem recebida”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou nas redes sociais que o país “continua a dar uma chance à diplomacia”. A nova mobilização ocorre após a agressão dos Estados Unidos e de Israel ao Irã iniciada em 28 de fevereiro, seguida por represálias iranianas e por um cessar-fogo em abril, conforme a cronologia apresentada pela teleSUR.
Em junho, Washington e Teerã assinaram um memorando sobre liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, mas divergências relacionadas à segurança continuam impedindo sua implementação.
Brasil 247