Presidente paraguaio renunciou em meio ao escândalo do 'Banco Master' localReprodução/Governo do Paraguai Não faz muito tempo que o Paraguai era retratado em reportagens de cadernos econômicos por aqui como o destino dos sonhos para brasileiros desencantados com os rumos do próprio país.A nação vizinha registrava crescimento recorde no número de pedidos de residência de estrangeiros.
De janeiro a março de 2026, foram 18.071 solicitações, alta de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior.O sonho paraguaio era alimentado por postagens nas redes sociais que falava das maravilhas de morar em um país seguro, com baixos impostos e liberdade econômica para empreender.Quem guiava tudo isso era Santiago Peña, presidente conservador que permitiu que Donald Trump fizesse do país um preposto do território norte-americano no Sul.
Sob a gestão dele o Paraguai firmou acordos de cooperação em defesa e segurança que ampliam a presença temporária de militares norte-americanos, funcionários civis e suporte de inteligência.Música para os ouvidos de quem sonhava em ser governado, mesmo que de maneira indireta, por Donald Trump um dia.Mas bastou um espirro financeiro para a gripe econômica no país se tornar infecção generalizada.Peña era, até outro dia, acionista da Grupo Vázquez, controlador do Banco Ueno, que nesta semana sofreu uma intervenção do Banco Central do país após deixar de cumprir requisitos mínimos de solvência.
O banco digital administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos. Parte deles foi surrupiada da clientela.A crise arrastou o presidente do BC local, Carlos Carvallo, mas não adiantou. O Ministério Público abriu investigação criminal e determinou a detenção de oito atuais e ex-dirigentes do banco, entre eles o presidente Juan Manuel Gustale.Um pedido de impeachment foi aberto contra Peña, acusado de conflito de interesse, uso indevido de fundos de pensão e acobertamento institucional na gestão do caso.
Personificou, em uma pessoa só, o que vimos por aqui no Banco Master e a teia de socorro e relacionamento que envolveu parlamentares, governadores e até um candidato à Presidência. Peña decidiu não pagar para ver e renunciou. No vácuo, ficou escancarada a vulnerabilidade das instituições de um país que já foi chamado de “Suíça da América do Sul”.
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