Com mudanças no governo e na Assembleia, veja quem pode ganhar protagonismo na política de SP em 2027

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

A próxima legislatura terá novos deputados, enquanto o segundo mandato de Tarcísio prevê mudanças na equipe e acomodação de aliado A renovação na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) e as mudanças previstas no segundo mandato do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) devem redesenhar parte do cenário político paulista a partir de 2027.

Com a eleição de deputados estaduais para cargos em Brasília e a chegada de novos parlamentares à Assembleia, diferentes grupos terão a oportunidade de ampliar sua influência no Estado. O movimento não se limita ao Legislativo.

A reeleição de Tarcísio, em primeiro turno, também abre espaço para uma reorganização do secretariado e para a acomodação de partidos que integraram a aliança responsável pela vitória do governador. Nesse contexto, nomes que já atuam nos bastidores do governo e lideranças que ganharam força nas eleições podem assumir posições de maior destaque nos próximos anos.

A Alesp terá uma renovação de 41,5% na próxima legislatura. Dos 94 deputados estaduais eleitos em outubro, 39 não ocupavam uma cadeira na Casa.

Outros 55 parlamentares conseguiram a reeleição. A nova composição toma posse em 1º de fevereiro de 2027 e deve alterar o equilíbrio de forças e a dinâmica dos debates no Legislativo paulista.

A renovação também ocorre em meio à ampliação da base governista. O PL, partido que integra a aliança de Tarcísio, passará de 21 para 27 deputados estaduais e continuará como a maior bancada da Assembleia.

Na oposição, o PSOL também ampliou sua representação, passando de cinco para nove parlamentares. Entre os nomes que chegam à Assembleia está Eduarda Campopiano (PL), que conquistou a maior votação para deputada estadual em São Paulo, com aproximadamente 1,95 milhão de votos.

O resultado coloca a parlamentar entre os principais nomes da nova legislatura e dá a ela uma expressiva força eleitoral para iniciar o mandato. A expectativa é que sua atuação seja acompanhada de perto, especialmente diante do peso que o PL terá na composição da Casa.

Na oposição, Sofia Favero (PSOL) também desponta como um dos novos nomes da Assembleia. Terceira candidata mais votada para o Legislativo estadual, com 407,7 mil votos, ela chega à Alesp em uma bancada que ampliou sua representação.

A presença de novos parlamentares de esquerda e direita deve contribuir para renovar os debates e acirrar disputas ideológicas na Casa. Um dos pontos de atenção será a relação entre as duas parlamentares.

Campopiano e Favero representam campos políticos opostos e já aparecem como possíveis protagonistas dos embates da próxima legislatura. Outro nome que merece atenção é Thomaz Henrique (PL), eleito com 178,1 mil votos.

Identificado com a direita, ele aparece entre os parlamentares que podem protagonizar discussões mais acaloradas no Legislativo. Do outro lado, Leonardo Grandini e Débora Camilo, eleitos pelo campo progressista, também estão entre os nomes apontados como possíveis protagonistas dos embates políticos.

A tendência é de uma Assembleia com maior presença de parlamentares dispostos a explorar disputas ideológicas e a dar visibilidade às divergências entre governo e oposição. Parte da renovação da Alesp também está relacionada à saída de parlamentares que conquistaram cargos no Congresso Nacional.

Entre os deputados estaduais que foram eleitos para a Câmara dos Deputados estão Gil Diniz (PL), Major Mecca (PL), Guilherme Cortez (PSOL), Márcia Lia (PT), Reis (PT), Altair Moraes (Republicanos), Tomé Abduch (Republicanos), Milton Leite Filho (União Brasil), Marina Helou (PSB) e Andréa Werner (PSB).

A mudança também alcança o comando da Assembleia. O atual presidente da Alesp, André do Prado (PL), foi eleito senador ao lado de Guilherme Derrite (PP).

Os dois representarão São Paulo no Senado Federal entre 2027 e 2035. A saída de Prado abre uma disputa pela presidência da Casa, que deve ter o PL e o Republicanos como principais interessados no posto.

Nos bastidores, o PL reivindica a presidência por ter conquistado a maior bancada da Assembleia, com 27 deputados. Entre os nomes cotados pelo partido estão Alex Madureira, líder da bancada, e Tenente Coimbra.

Já no Republicanos, Gilmaci Santos, atual líder do governo na Alesp, aparece como possível candidato. A definição terá impacto sobre a condução dos trabalhos legislativos e a articulação entre o Palácio dos Bandeirantes e os deputados estaduais.

Além da Assembleia, o Executivo paulista também passa por uma reorganização. Reeleito com 62,65% dos votos válidos, Tarcísio de Freitas inicia em janeiro de 2027 seu segundo mandato à frente do governo estadual.

A nova gestão deve combinar a permanência de integrantes da atual equipe técnica com mudanças destinadas a acomodar aliados políticos que participaram da coligação eleitoral. Uma das principais movimentações previstas envolve Natália Resende, atual secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.

Ela deve deixar a pasta para assumir a Casa Civil, substituindo Nerylson Lima. Considerada uma das auxiliares mais próximas do governador, Natália participou da coordenação do plano de governo para o próximo mandato e ganhou espaço na administração por sua atuação em projetos de infraestrutura e na desestatização da Sabesp.

Outro nome que deve permanecer em posição de destaque é Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos e atual secretário de Governo e Relações Institucionais. Ele deve continuar à frente da pasta, responsável pela interlocução com prefeitos, parlamentares e lideranças partidárias.

A tendência também é de continuidade de outros integrantes da equipe. Renato Feder, secretário da Educação, deve permanecer no governo, assim como Geraldo Melo Filho, na Agricultura, e Marília Marton, na Cultura.

A permanência desses nomes indica que Tarcísio pretende preservar parte da estrutura técnica que acompanhou seu primeiro mandato, mesmo com a reorganização prevista para o segundo período de governo. Por outro lado, a saída de Eleuses Paiva (PSD) da Secretaria da Saúde já está prevista.

Entre os nomes cotados para substituí-lo estão Luiz Carlos Zamarco, atual secretário municipal da Saúde de São Paulo, e Maurício Serpa, secretário-adjunto da pasta estadual. Fora dos nomes que já integram a estrutura administrativa, outras lideranças também são mencionadas nas articulações para o segundo mandato.

O deputado federal Ricardo Salles (Novo), o ex-governador Rodrigo Garcia (Republicanos) e o ex-deputado estadual Frederico d’Ávila são apontados por aliados de Tarcísio como possíveis integrantes do novo secretariado. Salles, que desistiu de disputar uma vaga no Senado em 2026 e apoiou as candidaturas de Guilherme Derrite e André do Prado, teve seu nome especulado para a Secretaria da Justiça.

Já Frederico d’Ávila poderia assumir a Agricultura. Rodrigo Garcia, por sua vez, é citado como possibilidade para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

A distribuição de cargos também deve refletir o peso dos partidos que participaram da coligação de Tarcísio. O MDB, por exemplo, pode ampliar sua participação no Executivo, impulsionado pela atuação do grupo do prefeito da capital, Ricardo Nunes, na campanha de reeleição do governador.

Já o PSD, presidido pelo ex-secretário Gilberto Kassab, pode perder espaço na administração estadual. A partir de 2027, São Paulo terá um cenário marcado pela renovação de parte do Legislativo e pela reorganização dos espaços de poder no Executivo.

Na Alesp, a chegada de novos parlamentares, a ampliação das bancadas de PL e PSOL e a disputa pela presidência da Casa devem influenciar a relação entre governo e oposição. No Palácio dos Bandeirantes, a escolha dos novos secretários será um dos principais indicativos de como Tarcísio pretende organizar sua base para o segundo mandato.

A combinação entre quadros técnicos, lideranças partidárias e possíveis novos integrantes do primeiro escalão também poderá definir quem ganha influência nas decisões do governo estadual até 2030. Camila Souza é repórter do ND Mais em São Paulo, de onde apura e escreve sobre os principais assuntos da maior cidade do Brasil.

Integrante do Núcleo Nacional, cobre política, economia, segurança pública e o que mais impacta a população do estado. Acompanha especialmente movimentações políticas e o que acontece na Grande São Paulo, incluindo a capital paulista, Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo, Osasco e a região.

Formada pela UniRitter, em Porto Alegre, trabalha com comunicação desde 2020 e tem experiência em redação multimídia e edição de conteúdo, com passagens por portais de notícias e jornal impresso. Foi repórter nas Eleições 2022 e integrou o Projeto Comprova, iniciativa nacional de checagem de fatos.

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