O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), sancionou na terça-feira, 3, a lei que autoriza a inclusão do jiu-jítsu como atividade complementar na educação infantil da rede municipal de ensino. A implementação ficará a cargo da Secretaria Municipal de Educação (SME), que pretende iniciar os estudos ainda neste ano para viabilizar a oferta das aulas a partir de 2027.
A proposta prevê o levantamento das unidades que poderão receber a modalidade, além da preparação de profissionais qualificados para trabalhar com as crianças. A Câmara Municipal de Goiânia havia aprovado em definitivo o projeto de lei nº 322/2024, de autoria do ex-vereador Telêmaco Brandão (Novo) e do vereador Igor Franco (Podemos).
O texto autoriza o Executivo a implementar o jiu-jítsu como atividade complementar na educação infantil, conforme as diretrizes curriculares e a carga horária estabelecidas pela Secretaria Municipal de Educação. Em entrevista ao Jornal Opção, Roberta Alves da Silva, gerente de Desporto Educacional da SME, afirmou que a pasta já possui um levantamento das escolas que atendem à educação infantil e está avaliando as adequações necessárias.
Segundo ela, a implementação deverá ocorrer de forma planejada, considerando as diretrizes curriculares e as particularidades dessa etapa de ensino. “A partir do momento que a lei é instituída, a Secretaria de Educação se movimenta para cumprir”, declarou.
Implementação depende de planejamento e formação De acordo com Roberta, a secretaria pretende retomar o diálogo com as unidades escolares previamente consultadas e estudar a ampliação da iniciativa.
Como a sanção ocorreu no início de novembro, a equipe precisará organizar as etapas de implantação e definir quais escolas terão condições de receber as primeiras atividades. “A gente vai começar o estudo para ingressar esse ano e começar com tudo para o ano que vem”, afirmou.
A gerente explicou que a implementação poderá começar por algumas unidades, mas ressaltou que a abrangência do projeto dependerá do planejamento da secretaria. “Se a gente tiver que instituir em todas elas, a gente vai instituir em todas elas”, disse.
Segundo Roberta, a oferta da modalidade exigirá adequações pedagógicas para que as aulas sejam compatíveis com a faixa etária atendida. A formação dos profissionais é outro ponto considerado essencial pela SME.
A gerente destacou que não basta oferecer aulas de jiu-jítsu: é necessário preparar os professores para trabalhar a modalidade de acordo com os objetivos da educação infantil. “A gente precisa qualificar nossos professores”, afirmou.
Ela também mencionou a possibilidade de estabelecer parcerias com a área de esporte e lazer para contribuir com a execução do projeto. Participação e diretrizes pedagógicas
A forma de participação dos alunos nas aulas também está entre os pontos que precisam ser definidos. Roberta explicou que, apesar de a lei autorizar o jiu-jítsu como atividade complementar, a secretaria ainda deverá estudar como a modalidade será incorporada às diretrizes pedagógicas da rede municipal.
A gerente ressaltou que a atividade precisa ser adaptada à realidade das crianças, sem reproduzir métodos rígidos de treinamento esportivo. Para ela, os conteúdos devem respeitar as características de cada etapa do desenvolvimento infantil.
“Qualquer componente curricular deve ser entendido de acordo com a modalidade”, afirmou, ao comparar o ensino na educação infantil a práticas de aprendizagem que utilizam brincadeiras e experiências lúdicas. Jiu-jítsu como ferramenta de formação
Na avaliação de Roberta, a inclusão da modalidade pode contribuir para o desenvolvimento integral das crianças, desde que as atividades respeitem as características e necessidades de cada faixa etária. Ela destacou que a educação física tem papel importante na formação motora e cidadã dos estudantes e defendeu que o conteúdo seja adaptado à realidade da educação infantil.
“Todos os elementos da educação física são relevantes para a formação humana, para a formação motora e para a formação cidadã”, disse. A proposta, portanto, deverá ser estruturada para que o jiu-jítsu seja trabalhado de maneira pedagógica, respeitando as diretrizes curriculares e as necessidades das crianças.
A expectativa da secretaria é avançar no planejamento após a sanção da lei, com a avaliação das unidades, a organização das parcerias e a preparação dos profissionais. A definição sobre o número de escolas atendidas inicialmente, a inclusão dos Cmeis e o formato das atividades deverá ocorrer durante os estudos de implementação.
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