Ciência cidadã ajuda a reencontrar vaga-lume após 43 anos

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Plataforma voltada para ciência cidadã recebeu três registros da espécie ao longo de 2026, simultaneamente ao avanço da pesquisaDivulgação/Re:wild Uma espécie de vaga-lume que não era documentada pela ciência desde 1983 foi redescoberta em uma reserva natural de Delaware, nos Estados Unidos.

Com nome científico Pyractomena similis, o inseto foi visto em junho de 2026, 43 anos depois.Conforme a Re:wild, organização internacional que mantém uma lista de busca por espécies perdidas com suspeita de extinção, a redescoberta foi acompanhada por um “pacote” de mais 27 espécies de vaga-lumes redocumentadas e publicadas em estudo no Journal of Lost Species, todas entre os Estados Unidos e o Canadá.A espécie reencontrada foi vista no dia 03 de junho por Christopher Heckscher, entomologista e ecologista da Universidade Estadual de Delaware, em uma visita norturna ao Parque Estadual Brandywine Creek.Ainda antes, durante o verão de 2026, dois moradores da região compartilharam imagens de possíveis encontros do vaga-lume similis em uma plataforma para ciência cidadã, enquanto um terceiro divulgou outro caso em maio, na Virgínia, Estados Unidos.Durante a visita, o cientista encontrou insetos que emitiam uma sequência de flashes curtos de luz âmbar, em tons amarelo-esverdeados, e levou exemplares para confirmação por meio de análises microscópicas.

O padrão intermitente de emissão de luz é uma característica central da espécie.O estudo “Extinguished or overlooked? An examination of lost firefly species of the US and Canada” aponta que existem 69 espécies com lacunas de conhecimento sobre seu estado de conservação e outras 48 sobre as quais não há dados disponíveis na região.Segundo o pesquisador, a espécie pode ter sido considerada extinta por uma série de fatores: destruição de habitats, período reprodutivo curto, atividade noturna e a falta de buscas direcionadas para encontrar a espécie.E é justamente pela falta de buscas que muitas espécies acabam sendo consideradas extinguidas, mas podem ter sobrevivido, ainda que ameaçadas.

Os pesquisadores apontam que a colaboração da população é fundamental para a confirmação desses dados.Uma morte “científica”O desaparecimento de uma espécie não significa, necessariamente, que ela esteja extinta ou em situação grave de ameaça. Na prática, somente sumiu de quaisquer registros científicos a partir de determinado período.E muitas das vezes, ninguém vai atrás na tentativa de confirmar.

O caso do vaga-lume Pyractomena similis é um bom exemplo. Apesar da confirmação de sua existência por meio do estudo publicado em outubro, houveram registros anteriores, por cidadãos.Durante o verão deste ano, o inseto foi visto em Ashburn, na Virgínia, nos arredores de Washington, D.C., em 15 de maio, por Aljoscha Nern, que registrou o caso na plataforma iNaturalist e a identificação da espécie foi confirmada por meio de exame microscópico em 6 de julho.A plataforma é uma espécie de rede social voltada à ciência cidadã, onde qualquer pessoa pode registrar espécies de plantas, animais e fungos encontrados na natureza.Ao mesmo tempo, o pesquisador Heckscher observou as emissões de luzes no dia 03 de junho e confirmou em exame cerca de um mês depois, o que deu origem aos estudos.

Agora, resta avançar em estudos populacionais para entender o estado de conservação dos vaga-lumes.Era um sinalHeckscher conta que “haviam sinais” da espécie durante a visita noturna no Parque Estadual Brandywine Creek. Isso porque, brincadeiras à parte, os machos da espécie emitem de dez a 20 pulsos de luz em sucessões rápidas, como flashes de uma sessão fotográfica, pausam e emitem novamente.A espécie costumava habitar áreas ao Leste e Sul dos Estados Unidos e, uma das poucas informações sobre o comportamento conhecidas é que prefere campos e pradarias com proximidade da água.Segundo o pesquisador, a redução desses ambientes provavelmente foi o fator central para a “morte científica” da espécie, ou seja, pela falta de registros a partir de 1983.

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