Carta ao Leitor: Choque de realidade

Carta ao Leitor: Choque de realidade - Foto
Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

O Brasil sairá das urnas neste domingo, 25, da mesma forma que entrou na campanha para saber quem vai ocupar o Palácio do Planalto até 2030: com os mesmos problemas urgentes à espera de uma solução. As discussões de nível lamentável entre os candidatos e as propagandas agressivas concebidas para aumentar a rejeição dos adversários não são capazes de fazer desaparecer os desafios que o novo presidente terá de enfrentar nos próximos quatro anos.

Conforme mostra a reportagem que começa na página 30 desta edição, o alarmante poderio do crime organizado segue sem propostas de enfrentamento à altura. Na economia, o alto endividamento público chegou a um patamar recorde na história e não desaparecerá com medidas paliativas.

Promessas de resolver problemas crônicos do sistema de saúde feitas nas propagandas do horário gratuito não darão conta de alterar a triste realidade nacional nessa área. Tampouco apareceram no horizonte propostas sérias para mudar o vexaminoso quadro da educação pública do país.

Se não bastasse a ausência de um debate qualificado sobre como resolver esses e outros dilemas do país, à medida que o segundo turno foi se aproximando, houve uma corrida para anunciar novos projetos, que podem aumentar ainda mais a já bastante crítica situação dos gastos públicos.

Fazem parte desse pacote itens como reforços à rede de proteção do Bolsa Família, a ampliação de outros programas assistenciais, o anúncio de novas obras de infraestrutura e mais acenos para o alívio de dívidas das pessoas físicas e jurídicas. Nada disso veio acompanhado das necessárias explicações a respeito de onde o dinheiro vai sair.

MANIFESTAÇÕES - População nas ruas: eleitorado chega bastante dividido às vésperas do segundo turnoNicolas Hernandez-Fabio Teixeira/Anadolu/Getty Images A população que assiste a esse festival de promessas chegou às vésperas do segundo turno absolutamente dividida, não apenas em relação às intenções de votos para Lula e Flávio Bolsonaro, segundo mostram as últimas pesquisas.

A percepção do eleitor sobre qual deles está mais capacitado para lidar com os grandes temas nacionais virou também um espelho da polarização que assola o país. Reportagem desta edição mostra como isso contamina a divisão que há hoje sobre a capacidade da direita e da esquerda na gestão de áreas como meio ambiente, saúde, educação e política externa, entre outras.

Como ilustra a matéria, a resposta depende da lente ideológica, e o resultado é um empate entre os candidatos que chegaram ao segundo turno. Quem sair vencedor das urnas herdará uma nação absolutamente dividida, que vai cobrar as promessas da campanha e as soluções para os mais urgentes dramas nacionais.

O país precisa de paz, de segurança e de um rumo econômico que garanta um crescimento sustentável. A partir de janeiro de 2027, será a hora de descer do palanque e encarar essa realidade.

Continua após a publicidade Publicado em VEJA de 23 de outubro de 2026, edição nº 3018

Publicidade

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →