C&A prevê começar 2027 com investimentos menores e maior geração de caixa

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Fonte da notícia: Valor Valor

A C&A pretende iniciar 2027 com um nível de investimentos inferior ao previsto para 2026 e uma postura mais conservadora na alocação de capital, diante das incertezas sobre o cenário econômico e político. A companhia também não pretende flexibilizar os critérios de concessão de crédito para estimular as vendas em um ambiente de consumo mais difícil.

As perspectivas foram apresentadas pelo presidente, Paulo Correa Junior, e pelo diretor financeiro Laurence Beltrão Gomes, em teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre realizada nesta quinta-feira, 5. “A direção inicial é começar 2027 com um ‘capex’ menor do que 2026”, afirmou Gomes.

Segundo o executivo, o orçamento do próximo ano ainda está em discussão com o conselho de administração, e a companhia pretende priorizar projetos com maior retorno e geração de caixa. A ambição é alcançar um fluxo de caixa livre superior ao de 2026, embora a empresa não tenha divulgado valores ou metas fechadas.

A estratégia de investimentos será ajustada conforme a evolução do cenário. Correa afirmou que a empresa mantém o plano estratégico até 2030, mas poderá acelerar ou reduzir o ritmo de execução de acordo com as condições econômicas e a disponibilidade de caixa.

Entre as prioridades estão reformas de lojas, iniciativas de tecnologia e abertura de unidades em oportunidades específicas. Na frente de crédito, o presidente descartou aumentar o risco da carteira para sustentar o desempenho comercial.

“Nós não vamos acelerar o crédito em troca de vendas”, disse. Segundo ele, a C&A reduziu duas faixas de risco de atuação nos últimos 12 meses, antecipando uma possível deterioração do mercado.

A companhia pretende manter os critérios técnicos de concessão e concentrar esforços na atratividade dos produtos e na experiência de compra. “A gente quer a venda ou quer um fluxo que ocorra não pelo crédito e sim pela atratividade dos produtos de moda e pela experiência de compra dos nossos canais”, afirmou Correa.

A C&A também trabalha para reduzir gradualmente os estoques aos níveis de dias registrados em 2025. A empresa não espera que a adoção de um modelo logístico com mais centros de distribuição e pontos de apoio provoque aumento estrutural dos estoques.

Segundo Correa, a reposição mais rápida deve permitir reduzir a necessidade de mercadorias nas lojas. No desempenho comercial, o presidente afirmou que a expectativa para o quarto trimestre está mais próxima do comportamento observado em setembro do que do registrado em julho e agosto.

As coleções de verão tiveram resposta positiva, mas a empresa antecipa um ambiente promocional mais intenso na Black Friday.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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