O ministro da Saúde ressaltou que pessoas com dependência de jogos online apresentam um risco 15 vezes maior de suicídio O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse em audiência sobre a proibição das bets no Supremo Tribunal Federal que “o Brasil pode ter a coragem e a ousadia de decidir pela saúde pública” ao defender a manutenção da Medida Provisória que decidiu pelo fim das apostas esportivas e online.
Em setembro, o presidente Lula (PT) assinou a MP 1.394/2026, colocando fim a esse tipo de atividade no País. Antes do ministro da Saúde fazer a sua sustentação oral, 15 clubes e entidades defenderam os jogos de azar sob o argumento de que essa é a principal renda do futebol.
“Ouvi um representante de um time de futebol dizer que a briga dele são os clubes e os salários. A minha briga são pelos 65% de mulheres que tem vergonha de procurar o serviço de saúde, mesmo quando reconhece que tem vício, são pelas pessoas que se suicidam, que tem aumento de 15 vezes mais profissionais de saúde que sentem um crescimento exponencial de pessoas que procuram cuidado para o vício”, salientou Padilha.
O ministro mencionou que países que decidiram legalizar e depois buscaram aprimorar esse mercado, nenhum deles mostrou melhoria nos indicadores de saúde depois disso. “Todos os países que legalizaram as bets, pioraram seus indicadores de saúde em relação a elas”, comentou.
Para ele, “a única e melhor solução para evitar suicídio, evitar violência familiar, evitar endividamento é a proibição das bets”, disse. Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde aponta que a taxa de suicídio do sexo feminino por causa do vício em apostas online cresceu 92,5% entre 2000 e 2024, enquanto que no sexo masculino o aumento foi de 64,5% no mesmo período.
“As mulheres são afetadas se apostam ou não apostam. Muitas vezes elas entram para apostar para salvar a vida financeira da sua família, elas entram lá para tentar recuperar o orçamento do pai, do filho, do conjunto da família.
E entram na compulsão por conta disso ou mesmo quando elas não apostam elas são afetadas pela violência familiar, pelo orçamento da família”, relatou. Além disso, os dados do ministério indicam que 28 milhões de pessoas apostaram nos últimos 12 meses e 10,9 milhões apresentaram padrões de risco ou comportamento problemático.
Houve também um aumento na procura pelo SUS sobre o tema da ludopatia relacionada a jogos eletrônicos entre 2018 e 2026. “Nós estamos diante de um produto de altíssimo risco, seja as características de design, que estimula a permanência, a frequência e o gasto.
Ou se afasta esse produto do conjunto da população ou risco vai continuar”, disse Padilha. No campo da saúde mental, pessoas com dependência de jogos online apresentam um risco 15 vezes maior de suicídio e quase três vezes mais tentativas, mostram os dados apresentados pelo ministro.
Ele defendeu que a prática da atividade “gera vício e compulsão permanente”, sendo uma “das drogas mais viciantes”. Por fim, Padilha salientou que “essa briga é por todos”, pois inclusive torcedores, dirigentes, jogadores e funcionários são afetados pela compulsão, podendo afetar todas as pessoas e rendas, sobretudo as mais baixas.
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados, a proibição das apostas impulsionou o consumo de supermercados, inclusive de itens essenciais devido ao veto às bets, gerando um crescimento na venda de alimentos no País. Segundo a Abras, o volume de compras subiu no setor de atacados, em supermercados e mercearias, com compra principalmente de itens como arroz, óleo, macarrão e café.
Maiara Marinho Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ.
Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil. Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
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