A montagem da nova equipe de governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito para mais quatro anos em São Paulo, deve passar por uma redução do número de secretarias comandadas pelo PSD de Gilberto Kassab, um dos mais influentes no primeiro mandato, e por uma distribuição mais equilibrada das pastas entre os partidos da coligação.
PL, Republicanos, MDB, Podemos, além da federação União-PP, se articulam para indicar nomes neste mandato — entre os cotados está o ex-ministro Ricardo Salles (Novo), que atendeu a um pedido do governador ao desistir da candidatura ao Senado antes do segundo turno. Política: Aliados de Lula fazem rodada de conversas com Centrão por espaço no governo e cobram maior fidelidade no Congresso
Segundo aliados com acesso a Tarcísio, a tendência é pela permanência de apenas dois secretários próximos de Kassab: Marcelo Branco, que comanda Desenvolvimento Urbano e Habitação, e Guilherme Afif Domingos, secretário extraordinário de Projetos Estratégicos — este, porém, é considerado uma cota pessoal de Tarcísio, por dar andamento às obras do novo centro administrativo.
A Secretaria de Governo e Relações Institucionais, antiga pasta de Kassab, deve continuar sob a chefia do presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, e o PSD não deve manter o controle da Secretaria de Saúde após a dispensa do ex-deputado federal Eleuses Paiva. Nos dois casos, houve queixas de politização de verbas com as prefeituras que chegaram aos ouvidos de Tarcísio antes mesmo do período de campanha.
O partido de Kassab havia sido o principal aliado do governador, para além do núcleo bolsonarista, durante a campanha que o elegeu pela primeira vez. Desafeto de Rodrigo Garcia, o dirigente do PSD alinhavou o apoio e emplacou a indicação do vice na chapa, Felício Ramuth.
Durante o mandato, porém, Kassab acumulou desgastes com Tarcísio e se envolveu numa disputa pela posição de Ramuth, hoje no MDB. Sua participação na campanha foi praticamente inexistente.
Um aliado de Kassab afirma, sob reserva, que a influência nos rumos do governo paulista é mínima. Ao pedir demissão do governo e concorrer a vice-presidente da República junto ao ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), o dirigente virou a chave para o plano nacional, no qual admite até a possibilidade de se tornar ministro do presidente Lula (PT) em seu quarto mandato.
Ainda assim, a sigla conta com 9 deputados na Alesp, de um total de 94, e com o maior número de prefeitos no estado — foram 206 eleitos em 2024. Reunião com Ciro
Na Saúde, uma possibilidade é a ascensão do MDB através de secretários da prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes. Tarcísio avalia a indicação de Luiz Carlos Zamarco, o titular da pasta, ou do adjunto, Maurício Serpa.
Já o PL tenta ampliar a sua participação para além da pasta da Mulher, ainda mais num cenário em que o delegado Osvaldo Nico seja mantido na Segurança Pública, em vez de um nome bolsonarista. A Polícia Civil é reduto do PP em São Paulo.
Ontem, o governador se reuniu com o presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira. O parlamentar não conseguiu se reeleger no Piauí após desgaste com investigação aberta pela Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção junto a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Nogueira foi acompanhado no almoço pelo deputado federal Maurício Neves, que responde pela sigla no estado. Vaga para Salles
Outra possibilidade é Ricardo Salles ser nomeado secretário de Justiça, de acordo com informações reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A pasta comanda instituições como a Fundação Casa e o Procon-SP. O deputado federal desistiu de concorrer ao Senado a seis dias da votação, beneficiando diretamente André do Prado (PL), um dos candidatos de Tarcísio no pleito e que acabou eleito sem a divisão esperada de votos na direita.
Durante toda a campanha, Salles mirou em Prado para crescer nas pesquisas, acusando o adversário de representar o chamado “Centrão” e ser uma “marionete” de Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Eles apareceram lado a lado no dia da desistência, junto de Tarcísio e do outro candidato do grupo, Guilherme Derrite (PP), também bem-sucedido nas urnas.
Apesar disso, alegaram que não havia contrapartidas ao movimento, como a indicação de vagas no secretariado. Salles e Tarcísio foram procurados, mas não se manifestaram, enquanto outros auxiliares disseram, nos bastidores, não ter clareza sobre os planos.
A chefia da Justiça é ocupada atualmente por Arthur Lima, ex-colega do governador na Academia Militar das Agulhas Negras que já foi remanejado da Casa Civil no início do ano. Parlamentares alegaram, à época, que Lima tinha perfil duro quanto aos repasses solicitados, e o próprio Tarcísio atribuiu a mudança à necessidade de uma atuação mais política no órgão.
Três meses depois, Carneiro foi para o governo e a pasta ficou com Nerylson Lima, que era da Fazenda.
O Globo