Brasil cria 43% menos empregos formais em setembro, pior resultado desde 2020

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O Brasil abriu 121,3 mil postos de trabalho com carteira assinada em setembro de 2026. O resultado é 43,4% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram criadas 214,6 mil vagas.

É o pior desempenho para um mês de setembro desde 2020, primeiro ano da série do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Novo Caged, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4/11) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O saldo de setembro é resultado de 2,2 milhões de admissões e 2,1 milhões de desligamentos no período.

Em agosto, o saldo havia sido de 161,1 mil postos, 32,6% superior ao resultado de setembro.  Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas

No acumulado de janeiro a setembro, o mercado de trabalho formal abriu 1,2 milhão de vagas, uma redução de 27,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o foram 1,7 milhão de novos postos. O resultado de 2026 também é o menor para os nove primeiros meses do ano desde 2020, quando houve fechamento de vagas no início da pandemia de Covid-19.

A diferença entre o ritmo de admissões e o de desligamentos ajuda a explicar a redução do saldo de empregos no período. Entre janeiro e setembro de 2026, foi registrado o crescimento de apenas 0,06% em às vagas observadas no mesmo intervalo de 2025.

Já os desligamentos aumentaram em 2,59%, equivalente a 495,1 mil demissões adicionais.. Serviços concentram geração de vagas

O setor de Serviços respondeu pela maior parte das contratações líquidas em setembro. Foram criados 81,2 mil postos, crescimento de 0,34% em relação ao estoque do mês anterior.

O resultado corresponde a aproximadamente dois terços do saldo total registrado no país. Dentro do setor, as atividades administrativas e os serviços complementares lideraram a abertura de vagas, com 18,4 mil postos.

Na sequência aparecem saúde humana e serviços sociais, com 15,4 mil, e transporte, armazenagem e correio, com 13,2 mil. Neste último grupo, o transporte de cargas respondeu por 8,4 mil vagas.

A Indústria registrou o segundo maior saldo entre os grandes grupamentos, com 19,3 mil postos de trabalho, crescimento de 0,21%. O resultado foi impulsionado principalmente pela fabricação de produtos alimentícios, que abriu 17 mil vagas. 

O Comércio abriu 15,6 mil vagas, alta de 0,15%. Todas as divisões do setor tiveram resultado positivo.

O comércio varejista liderou, com 9,4 mil postos. Na Construção, foram criados 9,4 mil empregos, variação de 0,30%.

As obras de infraestrutura responderam por 4,6 mil vagas, enquanto os serviços especializados para construção abriram 4 mil vagas. A Agropecuária foi o único dos cinco grandes grupamentos a registrar saldo negativo.

O setor fechou setembro com 4,3 mil postos a menos, retração de 0,23%. A principal contribuição negativa veio do cultivo de café, com redução de 5,5 mil  vagas, seguido pelo cultivo de alho, que perdeu 1,3 mil postos.

26 estados registram saldo positivo A geração de empregos em setembro foi disseminada regionalmente.

Vinte e seis das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo. São Paulo liderou em números absolutos, com 19,3 mil postos, seguido por Pernambuco, com 13,3 mil, e Alagoas, com 11,1 mil

Quando considerada a variação proporcional em relação ao estoque de empregos, Alagoas teve o melhor desempenho, com crescimento de 2,47%. Amapá, com 1,35%, e Roraima, com 1,23%, completam as maiores variações relativas.

O Rio Grande do Sul foi a única unidade da Federação a registrar saldo negativo, com fechamento de 3 mil postos, queda de 0,10%. Entre as atividades que mais contribuíram para o resultado estão a fabricação de produtos do fumo, com redução de 5 mil vagas, e o comércio varejista, com 790 postos a menos.

A maior parte dos empregos criados em setembro correspondeu a vínculos considerados típicos pelo Ministério do Trabalho. Foram 94,7 mil postos nessa modalidade, o equivalente a 78,1% do saldo total.

Os vínculos não típicos responderam pelos outros 21,9%, com 26,5 mil vagas. A classificação de vínculos não típicos reúne trabalhadores aprendizes, intermitentes, temporários, contratados por Cadastro de Atividade Econômica da Pessoa Física (CAEPF) e aqueles com jornada de até 30 horas semanais.

Jovens e trabalhadores com ensino médio concentram vagas Os dados também mostram que a geração de empregos em setembro se concentrou entre os trabalhadores mais jovens.

Pessoas com até 24 anos responderam por 106,2 mil dos postos criados, enquanto os trabalhadores com 25 anos ou mais somaram 13,2 mil. A faixa de 18 a 24 anos liderou, com 79,8 mil postos, seguida pelos trabalhadores de até 17 anos, com 26,4 mil vagas.

Entre aqueles com 25 a 29 anos, o saldo foi de 7,1 mil, enquanto a faixa de 30 anos ou mais registrou 6 mil vagas. Por escolaridade, os trabalhadores com ensino médio completo concentraram a maior parte do saldo, com 82,8 mil postos.

O grupo com ensino médio incompleto teve resultado positivo de 17,2 mil vagas. Trabalhadores com ensino superior completo responderam por 10,3 mil postos, enquanto aqueles com superior incompleto somaram 5,2 mil.

O saldo também foi positivo entre pessoas com ensino fundamental incompleto, com 5,2 mil vagas, e analfabetas, com 1,8 mil. A única faixa de escolaridade com resultado negativo foi a de ensino fundamental completo, que registrou fechamento de 1,3 mil postos.

Salário médio de admissão tem leve recuo O salário médio real de admissão foi de R$ 2.429,41 em setembro, uma redução de R$ 1,10, ou 0,05%, em relação a agosto, quando a remuneração média havia sido de R$ 2.430,51.

Na comparação com setembro de 2025, porém, houve crescimento de 1,88%. Naquele mês, o salário médio real de admissão era de R$ 2.384,50, o que representa aumento de R$ 44,90 em um ano.

A diferença salarial aparece na comparação entre homens e mulheres. Em setembro, o salário médio real de admissão dos homens foi de R$ 2.537,24, enquanto o das mulheres ficou em R$ 2.286,70.

A diferença foi de R$ 250,54. O levantamento considera valores deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O cálculo exclui remunerações inferiores a 0,3 salário mínimo e superiores a 150 salários mínimos, além dos vínculos da modalidade intermitente. Na distribuição dos saldos por faixa salarial, as contratações se concentraram nas remunerações mais baixas.

A faixa entre um e 1,5 salário mínimo teve saldo positivo de 120.222 postos, enquanto a de até um salário mínimo registrou 25.049 vagas. Nas faixas acima de 1,5 salário mínimo, os saldos foram negativos.

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