Depois de atuar abertamente em favor de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição brasileira, o presidente argentino Javier Milei vê chegar ao campo adversário o articulador do “Exército de Lula”. O deputado federal André Janones (Rede-MG) esteve em Buenos Aires nesta segunda-feira (2 de novembro) para discutir apoio à oposição na disputa presidencial de 2027.
A movimentação leva à Argentina a experiência de mobilização digital usada na campanha brasileira. Seu impacto eleitoral ainda será testado, mas a viagem já acrescenta um componente à disputa: um aliado de Lula passa a colaborar com os adversários do presidente que fez campanha pelo bolsonarismo.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, Janones se reuniu com o ex-ministro da Economia Sérgio Massa e com a ex-presidente Cristina Kirchner. Com Massa, discutiu formas de reproduzir a mobilização pelas redes sociais.
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Massa, derrotado por Milei em 2023, pretende voltar à corrida presidencial. Antes, terá de disputar espaço no peronismo com o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof.
Kirchner continua influente na definição dos rumos da oposição. A presença de Janones ocorre, portanto, quando o campo adversário de Milei ainda precisa definir sua candidatura e construir unidade.
A troca de experiências digitais antecede essa escolha e não assegura, por si só, o desempenho nas urnas. Na coluna de Janaína Figueiredo, no UOL, a informação é que a viagem ocorreu a pedido de Massa.
A jornalista ressalta que Lula não pretende interferir na escolha do candidato peronista. Assim, a agenda de Janones não pode ser apresentada como uma missão oficial determinada pelo presidente brasileiro.
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Milei entrou na campanha brasileira O antecedente político é concreto.
Milei participou da convenção que lançou Flávio à Presidência e usou as redes sociais para apoiar o senador e atacar Lula. A atuação provocou reação diplomática brasileira.
Em 20 de outubro, o Itamaraty repudiou declarações nas quais o argentino insinuou fraude eleitoral. Conforme a Agência Brasil, o governo classificou os ataques ao Judiciário e ao voto eletrônico como tentativa inaceitável de ingerência no processo democrático brasileiro.
O episódio foi além da manifestação de preferência por um candidato. Ao lançar suspeitas sobre a votação, Milei reproduziu um dos principais argumentos do bolsonarismo contra as instituições eleitorais brasileiras, sem apresentar comprovação de fraude.
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À disputa política soma-se a cobrança sobre o papel da Argentina na fuga de Flávio para os Estados Unidos, após a derrota eleitoral. Segundo reportagem da AFP publicada pelo UOL em 30 de outubro, uma fonte diplomática brasileira informou que o Itamaraty convocou a representante argentina em Brasília para esclarecer uma possível participação do governo Milei.
O chanceler argentino, Pablo Quirno, negou que tivesse ocorrido pedido de explicações. A mesma reportagem informou que Flávio entrou na Argentina por terra e embarcou em Puerto Iguazú com passaporte italiano.
Uma autoridade argentina negou irregularidades na passagem do senador pelo país. Nesse ambiente, a ida de Janones abre uma nova frente política contra Milei.
Depois de apoiar a tentativa de derrotar Lula no Brasil, o argentino terá de acompanhar a chegada de um dos principais mobilizadores da campanha petista à articulação de seus adversários em 2027. Foto: reprodução/Instagram
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