O banco cooperativo holandês Rabobank projeta embarques maiores de carne e café do Brasil em 2027, com oferta de boi mais restrita no mercado interno e recuperação da produção cafeeira depois de anos de quebra. O diagnóstico foi divulgado nesta quinta-feira, 5 de novembro, e aponta crescimento simultâneo nas duas cadeias que puxam a pauta de exportação do agronegócio brasileiro.
O Brasil entra nesse quadro como maior exportador mundial de carne bovina e de carne de frango e maior produtor de café. O Rabobank é uma cooperativa de crédito holandesa com atuação concentrada em alimentos e agronegócio, e sua leitura de mercado é acompanhada por tradings, cooperativas e indústrias instaladas no país.
A oferta menor de carne bovina nasce do ciclo pecuário. Quando o criador retém fêmeas para produzir bezerros, o abate cai e o volume disponível encolhe até a nova geração atingir o peso de embarque.
O banco avalia que a oferta mais curta tende a sustentar os preços da carne bovina no mercado interno e na exportação. O efeito chega primeiro à mesa do brasileiro, porque a maior parte da produção nacional fica no país e só o excedente segue para o exterior.
Para o exportador, preço firme e demanda externa aquecida formam combinação favorável. A pecuária brasileira respondeu à procura com genética, confinamento e rastreabilidade, e conquistou espaço em mercados que ampliaram a compra de proteína nos últimos anos.
A China é o maior comprador da carne bovina do Brasil. A proteína animal brasileira também abastece o Oriente Médio, o Chile, os Estados Unidos e a União Europeia, e essa diversificação de destinos reduz a dependência de um único mercado comprador.
A carne de frango e a carne suína completam a pauta. O Brasil lidera as exportações mundiais de frango e ganhou terreno na suinocultura, e a leitura do banco holandês para o conjunto das carnes sustenta a expectativa de mais volume embarcado em 2027.
No café, a projeção de recuperação vem depois de safras castigadas por seca e calor. A lavoura brasileira, predominante em arábica nas montanhas de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, perdeu produtividade em anos seguidos de estiagem.
A bienalidade do arábica, alternância natural entre anos de carga alta e carga baixa, ajuda a explicar o movimento. Um ciclo mais forte em 2027 empurra volume para o mercado externo e alivia o custo da indústria torrefadora.
Os estoques de passagem, volume que sobra de uma safra para a seguinte, chegaram baixos nos últimos anos. Com produção maior, o país recupera folga para atender o mercado interno e os contratos de entrega já firmados com importadores.
O café sustenta uma cadeia longa. Cooperativas, corretores, armazéns, exportadores e indústrias de torrefação dependem do volume embarcado, e cidades do interior de Minas Gerais e do Espírito Santo sentem o resultado no comércio e no emprego.
Os Estados Unidos e a Alemanha estão entre os maiores importadores do café brasileiro. Um volume maior em 2027 amplia a presença do grão do Brasil nesses mercados e reforça o peso do país na formação das cotações internacionais.
O avanço da produção de etanol a partir do milho amplia a demanda doméstica pelo cereal. Usinas instaladas no Centro-Oeste compram milho de segunda safra e passam a disputar o grão com a ração animal e com a exportação.
O milho é insumo central da avicultura e da suinocultura, cadeias que respondem por fatia relevante das exportações brasileiras de proteína animal. Custo de ração mais alto aperta a margem do criador antes de qualquer embarque.
O clima aparece no diagnóstico como variável capaz de afetar custos e volumes. Chuva fora de época derruba a produtividade de lavoura e de pasto, e a estiagem prolongada encarece a terminação do boi e reduz a florada do cafeeiro.
A dependência externa de fertilizantes completa o quadro de risco. O Brasil importa a maior parte dos adubos que consome, e o preço do insumo acompanha o dólar comercial e o custo do frete marítimo.
Logística e crédito pesam na mesma conta. O escoamento da safra depende de rodovias e dos portos de Santos e de Paranaguá, enquanto o custeio da pecuária e da cafeicultura segue atrelado ao crédito rural e ao Plano Safra.
A projeção do Rabobank desenha 2027 com mais receita no campo e mais alimento brasileiro circulando no comércio mundial. O tamanho real desse ganho vai depender do clima nas próximas janelas de plantio, das estimativas de safra que a Conab e o IBGE vão fechar e do preço que o consumidor encontrar na prateleira.
Cafezinho